segunda-feira, 16 de agosto de 2010

FORMA LUZ COR E POESIA


ESCULTURA NO JARDIM

Elipses
Curvas
Circulos e semi-circulos
Retas
Oblíquas
Paralelas
Ângulos
Perfeitos
Agudos
Retos
Obtusos
Geometria de linhas
Formas
Arquitetura de poesia concreta
Planos
Vertical
Horizontal
Um mesmo céu 
Azul ou não
Qualquer cor
O mesmo objeto
Olhares
Movimentos
Diferentes formas
Diferentes luzes
Cores e poesia 
Dançam juntos
Em imagens etereas
que se formam
Desaparecem
Voltam a se formar
e desenham sempre:
Alumbramentos....Sentimentos...


Fotos:Fabricio Matheus

terça-feira, 3 de agosto de 2010

CLÁSSICO:CORINTHIAS X PALMEIRAS


Depois que terminei de passar o protetor solar fator 60 , olhei-me no espelho e estava “too much” para um estádio de futebol. Tirei o Cartier, a aliança de prata da Tiffany’s e fiquei somente com o boné D&G.
Somos vizinhos e moramos nos arredores da Capote e Alves Guimarães e marcamos de nos encontrar no mêtro Clínicas para irmos ao Pacaembú. Ele já estava lá e nos cumprimentamos como “manos” encostando primeiro o dorso da mão fechada e depois a mão aberta em palma.
E aí? De quanto vamos ganhar? Fui perguntando otimista e mal o deixando falar , já respondi:- 2 x0. Ele disse: 1 x0 .
Na fila do estádio, às três e pouco de uma tarde ensolarada , eu suava e exalava meu perfume francês.Às vezes , pensava comigo mesmo : O quê eu estava fazendo ali? Mas eu estava feliz. Dessa vez ele falou de sua mina , do curso de Administração. Falamos de cinema. Ele estava louco para assistir Salt com a Angelina Jolie.Eu estava mais interessado na animação japonesa Ponyo, ou no documentário” Uma noite em 67” e quase disse que adoro o Brad Pitt.
Sentamos na arquibancada com a torcida. No estádio parecia que tinha mais alviverdes, e realmente tinha. De vez em quando encostávamos nossas pernas nuas.Noutras, nossos ante-braços nus.
Têm dias que eu me sinto um merda. Depois de 12 horas de trabalho, rotinas... baixa um super-ego que reclama e me acha um fracasso. No momento seguinte; talvez , o último paciente , uma criança, e faço o diagnóstico de apendicite e isto me alivia a consciência de talvez estar no lugar e na hora certa.E de não ser tão fraco assim, ou tão sem coragem. Medos.... Um vazio , que naquele momento estava preenchido pela presença de meu novo amigo, por quem eu tinha uma queda abissal, e isso bastava . Este singelo momento de nada e um pouco de alegria, quebrava a mesmice do meu dia- a- dia.Além disso a pletora de alegria do estádio de futebol é contagiante.No mínimo esta experiência ,resultaria num estudo sociológico das torcidas num clássico de domingo e era muito melhor que ficar em casa lendo ou assistindo o Faustão.
Quando o timão entrou no estádio foi saudado com bexigas pretas pelos presentes no tobogã do estádio. A seguir, o Palmeiras entra com um linda festa dos torcedores, que fizeram um mosaico com a taça da Libertadores em verde.
Bola rolando no campo, tensão ou tesão: Lá e cá.... Às vezes nos olhávamos...o timão ía bem e logo aos 21 minutos numa jogada de Iarley para Bruno César que cruzou para o Jorge Henrique marcar e explodir a torcida . Pulei com os pulsos fechados, gritei e segurei firme nos ante-braços dele, quase nos abraçamos...
Aí meu eu racional, me diz rapidamente, que ele é mais jovem. Que estou perdendo o meu tempo. Que eu sou um puta de um carente . Carente prá dedéu e etc.. . E eu mando a razão à merda enquanto termino de gritar : -goooollll....
O Palmeiras reagiu e empatou aos 33 minutos com gol de Edinho, sufocando a nossa torcida e a nós mesmos. Nos olhamos decepcionados, novamente raspo de leve na sua perna. E não quero pensar em nada mais...Sinto uma felicidade quase infantil, boba mesmo, e isto basta.
As chances de gol do segundo tempo não se realizaram e o tempo passou rápido e terminou 1x1. Nem Adilson, nem Felipão. E ainda custou a liderança do timão, agora em segundo, atrás do Fluminense.
Subimos em direção a Dr. Arnaldo com o sabor agri-doce do empate. Mas não paramos de conversar. Será um bom sinal?Pelo menos temos papo.... Dividimos uma cerveja na esquina da Capote com a Teodoro, mas ele tinha que encontrar sua mina . Não marcamos nada, ficamos de nos ver na academia.
Eu terminei descendo o resto da Teodoro sozinho. Fiquei pensando se tinha perdido , ou empatado o jogo. Ria sozinho, cabaleante... Será efeito da cerveja? Mas eu quase não bebi nada!E a resposta vêm rápida de encontro ao meu sorriso só, como uma bola no gol. Foi a de que eu simplesmente vivi...

Arte:Fabricio Matheus

SAFARI NA AFRICA



Voamos de Cape Town para Nelspruit no nordeste da África do Sul, perto da Suazilândia e nas imediações do Kruger Park , onde se concentra a maior diversidade de parques nacionais e reservas de vida selvagem.
O aeroporto de Nelspruit é todo de madeira e lembra um pouco o de Porto Seguro. Pegamos um carro alugado rumo ao norte pela rodovia R40, passando por Hazyview. As estradas são estreitas, mão única, todas com radares e a velocidade máxima permitida é 80km/h. A sinalização é precária, e perdemos a entrada para o nosso Lodge o Sabie Sand Reserva, e só notamos quando nos deparamos com um dos portões do Kruger Park.
O Kruger Park é a maior reserva de animais do país. Há Lodges de Safaris onde você pode ficar hospedado, ou você pode percorrer no seu veículo, às vezes passando o dia sem ver animal algum . No parque a velocidade máxima é de 40Km/h.
Chegamos atrasados no Resort e já estavam nos esperando em cima do Jipe para o safári da tarde.Tivemos uma orientação básica do funcionamento e horários dos safáris e das refeições. Algumas regras práticas como: - É proibido andar desacompanhado durante à noite no Lodge que parece um hotel- fazenda com chalés muito bem decorados.
Não há nada mais memorável que a selva africana, suas savanas e seus animais. Os safáris são emocionantes e tudo é feito para que funcione como se você estivesse caçando os animais. Como numa brincadeira de esconde –esconde.
Geralmente são vários jipes , de vários lodges que se comunicam entre si avisando onde os animais mais importantes estão, como os big Five. De repente passa se por um rebanho de Impalas. Mas a frente girafas caminhando elegantemente com seu grupo. Um barulho e passa uma família de elefantes.
Seguimos as marcas deixadas pelos animais nas estradas.Enquanto isso, a luz solar pinta do horizonte as mais diferentes cores nas vegetações. Montanhas distantes e céu infinito. Rebanhos de zebras correndo pelas savanas ao entardecer... não há nada mais lindo.
Felizmente, os hóspedes de nosso Lodge eram jovens e animados, o que não é comum ,pois os safáris são caros. Tinha um casal de amigos holandeses, um casal de namorados suíços, sendo que o rapaz morava em Johanesburg e vestia sempre uma camisa escrita Guarujá , que ele nem sabia ser uma cidade balneário do Brasil. Depois chegou uma família de portugueses que moram em Angola e a filha estuda veterinária com especialização em animais selvagens.Tinha um grupo de senhoras espanholas, assanhadas e falantes.
O jantar sempre a luz de tochas de fogo incandescente, dava um clima de rusticidade e encantamento ao ambiente. Saímos antes do amanhecer para o primeiro safári, quando ainda não se findava a noite para que pudéssemos ver o amanhecer dourado do sol sobre as savanas. Os guias sempre nos explicam curiosidades sobre os animais, pássaros , vegetações. Depois do almoço, o safári era caminhando, seguindo pegadas, analisando as fezes , a “merda” dos animais para ver se eram vegetarianos, ruminantes , carnívoros...e etc... Uma infinidade de pássaros, flores exóticas e lagoas ora cheia de rebanhos de búfalos , ora com manadas de hipopótamos, com um pássaro que descansava nas suas costas.
Tivemos sorte com o tempo e pegamos inclusive uma chuva leve , o que tornou animada as buscas, pois facilita enxergar as pegadas dos diversos animais.
Os safáris noturnos são extremamente interessantes por quê no meio da noite e da mata escura, a lanterna, nos descobria o brilho dos olhos de um leopardo, ou uma coruja no alto de uma árvore.
Os ventos influenciam os animais que correm, e galopam em grupo deixando uma poeirae o cheiro de terra. O som da selva é música. Observar os animais é aprender também sobre instintos, sobre a natureza e sobre você mesmo.
No Lodge somos estimulados a um suspense e muitas vezes estamos constantemente a procura dos animais. Os sapos verdes se aproximam coaxando e anunciando chuva. Os largatos tomam chuva ou sol nas pedras à beira da piscina, sossegados como se não houvesse o tempo. Algumas vezes , recebíamos visitas de camaleões.
Há caminhos que se pode fazer sozinho, com pontes bambas de madeiras sobre riachos.Lagos que refletem árvores repletas de Calaos. Parecia que tínhamos entrado no reino do Rei Leão da Disney.
A noite sempre coalhada de estrelas e um luar que dá um brilho ao azul escuro da noite, embalada pelos sons dos grilos e insetos mil . Às vezes no terraço do chalé esperando por mais um leão, ou outro animal. Éramos surpreendidos pelo brilho fugaz de vaga-lumes que se misturavam as estrelas cadentes, ou assustávamos com os uivos de lobos selvagens, babuínos, hyenas e javalis...Ou o próprio vento nas folhas das árvores ou o vôo de um morcego fazia nossa imaginação ir tão longe quanto estávamos.
Seguir uma família de leões, e o macho guiando a fêmea com uivos, os leõezinhos cambaleantes. Perseguir um rápido esguio leopardo. Passar por rinocerontes que nem sequer notam que você existe, ou fazem que não notam. Jacarés, e mais e mais animais.
A maioria dos Lodges pertecem à empresários ingleses. Os empregados são todos negros , africanos. Não existe trabalho registrado e muitos trabalham pela gorjeta. No último dia deixam inúmeros envelopes no chalé para a distribuição das “tips”.
A infra-estrutura dos Lodges é de primeira. A comida excelente, a carta e adegas de vinhos de tirar o chapéu de Indiana Jones. Degustamos o Porcupine Ridge e o Hidden Valley que já os encontrei em São Paulo. Toda a estrutura do local e os serviços são orientados para que você se divirta. Para que você veja e viva a África como uma grande aventura .



Fotos:Fabricio Matheus e Conor O'Byrne