sábado, 5 de dezembro de 2009

BORTOLOTTO




Fiquei chocado com o que aconteceu com o Marião. Um sujeito da PAZ, do Teatro, do amor. Conheci o Mário no SANTIDADE dirigido pelo Fauzi Arap, depois Kerouac e Cemitério dos Automóveis, grande HOMEM. Já fui vítma da violênica urbana, sequestrado, felizmente não baleado e conversava muito como o  seu chapa, o TONHÃO, ator e seu companheiro da  peça Santidade. Vi o Mário pela última vez na peça do Rubens Paiva e sempre sabia do que acontecia com ele pelo Facebook. Eu tô aqui torcendo, rezando e com FÉ QUE tudo se resolva bem . São Paulo , o teatro,o Brasil e eu precisamos  muito do Mário.Muita força , luz e que Deus te conserve entre nós.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

ODE A FORÇA FEMININA





P/ MiriamK


A primeira imagem é a réplica da mais antiga estátua , a Deusa Mãe Cybele, do museu das civilizações Anatolie de Ankara naTurquia, deusa da terra e da fertilidade e de uma época em que a força feminina era igual ou superior a masculina,  a era do Matriarcado. Data de 6.800 a..C do período neolítico ou da pedra pólida, quando começa o desenvolvimento da agricultura e os homens tinham que louvar a mulher terra e mãe e inicia a organização da vida comunitária. O Neolítico historicamente termina com o surgimento da escrita e é o último período da pré-história, a sua transição para a Idade dos Metais (Bronze e Ferro) , caracteriza a transição da pré-história para a história.
A segunda é da Deusa Artemis do Templo de Artemis ou Diana de Ephesus que glorifica a deusa das caças e dos animais e foi uma das sete maravilhas do mundo antigo no século VI a.C.
A terceira é a conhecida Vitória de Samotrácia, da deusa graga Nike, a Deusa da Vitória que provalvelmente celebra a vitória naval de Rhodes e data de 220 a 190 a.C. Estas são imagens e exemplos de um período em que a importância da mulher era superior a do homem.Um período em que as mulheres tinham sua força e eram sagradas.
Inevitavelmente o Cristianismo e a Igreja católica com a Inquisição levou a humanidade a séculos de atraso cultural e relegou o privilégio e a força feminina dos períodos pré-históricos e históricos à dominação masculina e ao Patriarcado, até hoje na hierarquia da igreja a mulher é submissa ao homem .  O mesmo ocorre em outras religiões monoteístas como o judaísmo e outras.Os best –sellers O Código de da Vinci e O Nome da Rosa, trata um pouco sobre o tema, .
Biologicamente a fêmea , pela reprodução, é mais desenvolvida e adaptada as intempéries do meio que o macho, e têm uma sobrevida maior que o macho em todas as espécies , inclusive na humana. O feto feminino têm maior chance de sobrevivência em gestações de risco que o masculino. Como médico e principalmente , ginecologista e obstetra, sou cercado diariamente pelas histórias e dores da mulheres, e certamente, a força feminina é infinitamente superior a masculina em relação aos problemas. Todo ser humano é único, mas a mulher é uma fênix renascida.
Inegavelmente a mulher sofreu e sofre com o domínio masculino , mas foi a luta e está na luta diária e escreveu e escreve sua história com sangue. A revolução industrial exigiu sua força de trabalho. Subjulgada e com a sua luta diária, ela mostrou a que veio. Se hoje na Europa e outros países existe o Women in Progress certamente não foi pela bondade masculina. E esta conversa surgiu numa mesa de bar em que um amigo gay criticava . E minha amiga dinamarquesa , que adora a Escrava Izaura, símbolo da  Liberdade, e eu dissemos  que ele deveria lutar pelos seus direitos como as mulheres o fizeram.  Quantos anos de sofrimento têm na alma a mulher negra?.
Cada ser é único e com sua beleza e cabe a cada um lutar pelos seus direitos para uma vida melhor e um mundo melhor. Na minha história e na minha família sou cercado de mulheres guerreiras. Minha mãe trabalhou a vida inteira, nos três períodos: manhã , tarde e noite. Trabalhou e trabalha pela comunidade, criou a faculdade de minha cidade, sem nenhum mérito a sua pessoa e aposentou com um salário vergonhoso. Foi criada por outra guerreira, filha de fazendeiros , professora que separou do marido nos anos 50/60, quando a mulher separada era considerada prostituta. A mãe de minha mãe, casou-se cedo provavelmente com um homem que não amava, teve duas filhas, ficou viúva jovem e influenciada pelas irmãs ficou amante e amásia de um fazendeiro negro com quem teve outros filhos e deixou as filhas para serem criadas por outras famílias. Nunca contou sua história, talvez seu segundo homem tenha sido o que ela realmente amou e apesar de ter filhos mulatos, nos contava que tinha tido somente um marido , o pai de minha mãe. Eu nunca a contradisse, respeitei sua dor ,sua amargura. Mas quanta resignação... trabalhou a vida inteira como cozinheira e morreu cozinhando, era a bondade em pessoa. Minha avó paterna ficou órfã de mãe com 3 anos , e tinha da sua mãe somente uma lembrança, a foto da mãe morta. A herança que sua mãe  lhe deixou, foi tirada pelo seu pai, madastra e irmãs. Ela teve que lutar como costureira para educar os filhos e no grito conseguiu que seu pai lhe desse uma casa. As mulheres de minha história são fortes, nunca quis ser mulher , mas de certa forma tenho uma força da luta de todas elas e das histórias diárias de minhas pacientes.

OBS: Cara Miriam , obrigado pelo comentário, deixa o Blog vivo . Eu adoraria escrever todos os dias , além da questão política e ética, o Blog para mim é um exercício de escrita e tenho que adotar um método para a sua feitura. Questões relativas as mulheres e suas histórias  voltaram em breve , assim como dos negros e outros assuntos e concordo com o que você escreveu.

Fotos: Fabricio Matheus


segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A HOMOFOBIA EM MIM




Não existe cura para o homossexualismo porque o homossexualismo não é uma doença. Mas há cura para a HOMOFOBIA. Principalmente a nossa.
O preconceito contra os homossexuais nasce do medo e da ignorância e mal informação. E nosso dever educar as pessoas com respeito e sem agressão.
Uma vez fui fazer uma palestra para Travestis e Transexuais, inicialmente todos falavam coisas glamurosas, quantos países conheciam no exterior, festas diplomáticas e etc... Quando perguntei sobre as dores e sofrimentos e finalmente , aos poucos, eles foram se revelando. Quanta dureza, quanta dor e sofrimento, quantas barreiras, preconceitos até contra grupos gays como lésbicas.Quanta solidão e quanta luta, mesmo para se prostituir no exterior... Só neste momento de dor conseguimos nos aproximar, nos humanizar.
No trabalho, quando te mostram a Playboy da Fernanda Young e você têm que achá-la gostosa, quando o máximo que você repara é numa tatuagem....
Quando o seu pai ou seu tio te dá de presente uma assinatura anual da Playboy, que você empresta para os seus amigos heteros , que você deseja mais que a revista.
Quando você precisa falar para a família que o moço é seu professor de piano e não seu namorado para trazê-lo em casa.
Quando seu namorado não pode dormir na sua casa, mesmo quando você mora sozinho porque na manhã seguinte chega a faxineira.
Quando a sua colega de turma diz que não beberá o Chopp do seu copo por quê ela pode pegar AIDS.
Quando você não sai com o colega de teatro por quê ele é muito bichinha, dá pinta e o que vão pensar de você...
Quando  chego num restaurante com um amigo e eles nos levam para o andar superior vazio alegando que o restaurante esta lotado, e o mesmo encontra-se vazio.
Quando você escuta calado, os seus pais dizerem que prefer morrer a ter um filho Gay.
Quando o meu namorado terminou comigo e estou arrasado e não posso demonstrar.
Quando meu companheiro esta doente ou morreu e eu não posso faltar o serviço, não posso chorar.
Quando é a primeira vez que você visita a família dele e a mãe dele sonha que vai receber uma visita que ela não quer, mas sua mãe diz no sonho que no final ela gostará da visita . E ela conta e pede para você interpretar o sonho na mesa de jantar....
Quando você vai pela primeira vez na casa da família dele, e os pais dele não falam nada e ficam batendo na mesa....
Quando não posso incluir meu companheiro no meu plano de saúde.
Quando no trabalho têm o women in progress, e eu trabalho, faço hora extras, viajo a serviço de última hora, dou plantão em festas e feriados....e não há o Gay in progress.
Tenho um amigo inglês que é professor de matemática e inglês. Era casado há dez anos com outro cara. Um dos seus alunos de 18 anos despertou-lhe uma paixão e ele saiu com ele só uma vez. Nem beijou. Foi expulso do colégio, proibido de lecionar no país. Teve que vender a casa que era herança de sua família e dar metade para o companheiro que também o levou na justiça e teve que recomeçar a vida em outro país e com outra língua.
Quando o meu personal trainner, após a aula diz uma piada homofóbica no banheiro e eu continuo treinando com ele e ele falando mal dos gays.
Quando  tenho que deixar de fazer alguma coisa, ou usar alguma coisa para não parecer Gay.
Quantas vezes eu tive que engolir seco e não dizer que eu sou gay.
Quando no natal no meio da ceia, o seu priminho pergunta se ele é seu amigo ou namorado.
Quando  penso:- sou formado, falo línguas, tenho pós graduação, Platinum Amex, um ótimo emprego, apartamento ...e sou Gay.
Quando sou HIV positivo, e não posso contar para minha família ou meus amigos, e não tenho ninguém para compartilhar minha dor.
Quando  não consigo contar para o meu novo namorado que sou HIV positivo.
Quando você mostra um conto ou uma poesia para o seu melhor amigo , que contêm uma história gay, e o mesmo diz que é legal mas para não tocar mais no assunto.
Tenho um outro amigo que se casou com um holandês, perdeu a nacionalidade brasileira. Depois de dez anos, separou do holandês e ficou ex-patriado na Holanda.
Quando você têm que esconder o seu guarda-chuva da Buberrys chiquérrimo, por quê a família dele vai achar que é Gay.
Quando morre alguém famoso como o Cazuza ou o Renato Russo, e alguém diz : Menos  uma bicha no mundo. E você não fala nada.
Quando você serve de farol, e os seus primos e amigos dizem que você também é Gay para eles se assumirem e você não sente orgulho disto.
Quando num país do Carnaval, num país que têm a maior parada Gay do mundo e lota hotéis e para a cidade, numa enquete do senado contra a Homofobia , ganha a lei contra a homofobia.
Tenho um amigo policial, que é gay e têm que bater em gays e travestis na delegacia .
Quando você depois dos 35, ainda têm que explicar por que não se casou...
Quando você têm que mostrar que entende de futebol ,se você prefere ballet.
São tantas histórias e tantos Quando. Mais cabe a mim, a você e a nós SUBVERTER a equação – HOMOFOBIA: GAY = DOENTE, SOLITÁRIO E INFELIZ.


Foto e colagem : Fabricio Matheus

O TAJ MAHAL , O AMOR E O GAY




Pra se viver do amor
Há que esquecer o amor
Há que se amar
Sem amar
Sem prazer
E com despertador
- como um funcionário
Há que penar no amor
Pra se ganhar no amor
Há que apanhar
E sangrar
E suar
Como um trabalhador
Ai, o amor
Jamais foi um sonho
O amor, eu bem sei
Já provei
E é um veneno medonho
É por isso que se há de entender
Que o amor não é um ócio
E compreender
Que o amor não é um vício
O amor é sacrifício
O amor é sacerdócio
Amar
É iluminar a dor
- como um missionário. CBHolanda


Está história aconteceu há alguns anos, antes do Caminho das Índias, mas poderia ser hoje. Estava viajando pela Índia, já tinha passado por Delhi, Jaipur, Fatehpur Sikri e estava no estado de Uttar Pradesh, no norte , precisamente na cidade de Agra e iríamos visitar o Taj Mahal, o mais conhecido monumento do país, a mais expressiva obra da arquitetura Mughal.
O Taj Mahal considerado a maior prova de amor do mundo, descrito como “Uma lágrima no rosto da humanidade”, símbolo do AMOR, é um masoléu , significa: A Coroa de Mahal, foi erguido entre 1630 e 1652 pelo Imperador Shah Jahan em memória de sua esposa favorita Aryumand Bano Began, conhecida como “A jóia do Palácio” ou Montaz Mahal, falecida ao dar a luz o seu décimo quarto filho. O edifício foi construído com o mais fino e puro mármore branco local, contendo inscrições do Corão e incrustado com pedras semi-preciosas como Jade e Cristal da China, Turquesas do Tibet, Lápis-lazulis do Afeganistão, Agathas do Yemen, Safiras do Ceilão, Ametistas da Pérsia, Corais da Arábia Saudita, Quartzo do Himalaia e Âmbar do Oceano Índico.
Todos estávamos exitados e felizes; e no caminho até o monumento, inventamos de brincar de adivinhar. Uma pessoa pensava uma coisa e tínhamos que adivinhar o que a pessoa pensará, com algumas dicas. Quem acertasse a resposta,  seria a próxima pessoa a pensar a palavra a ser adivinhada.A brincadeira transcorria com alegria e risadas infantis. Até que quem acertou e pensou a próxima palavra era uma juíza, um pouco estranha, distante , não se misturava com o grupo, sempre isolada. Nos surpreendeu ao participar do jogo de adivinhação.Começamos a tentar adivinhar o que a Juíza pensará, e por mais que ela desse dicas, não conseguíamos. E ela continuou: É uma coisa feia... É uma coisa degradante.... É uma coisa nojenta.... Falamos barata e outros insetos e nada. E ela continuava:É uma coisa que deveria ser pisada...É uma coisa que não deveria existir na face da terra.... E nós respondendo: Violência, Guerra, Preconceito... e nada... O clima começou a ficar tenso, pois pensávamos se tratar dos negros e guetos ...e nada...Até que ela decidiu parar a brincadeira. Simplesmente disse: Não brinco mais. Falamos que ela só poderia sair se dissesse o quê havia pensado. Depois de relutar, ela concordou e disse: É o Viado.Tão negro e grande foi o nosso silêncio, que uma colega estupefata respondeu: Mas por quê o veadinho, o quê que o pobre do animal têm a ver com isso... Ela respondeu seca: Não é o animalzinho, é o homossexual, a bichinha, o gay....
Já havia conversado algumas vezes com ela no café-da-manhã, curioso sobre sua posição sobre o Aborto, a Eutanásia e outros assuntos polêmicos e ela respondeu-me que quando se tratava desses assuntos, por ser religiosa, ela não conseguia julgar e preferia passar o caso e se omitir.
O clima ficou tenso no ônibus, na primeira parada, as pessoas vieram me consolar,  conversar comigo para que  eu não me chateasse. Entre elas, tinha uma cujo filho e irmão eram gays.Neste meu silêncio abissal, e talvez choque do inesperado. Eu  vi  doído meu profundo preconceito e minha frágil defesa. Aos poucos, fui conscientizando que a ofensa era diretamente a minha pessoa. Ali no caminho do Taj Mahal, eu vestido de indiano, careca, fui vítima do preconceito de uma juíza, cujo pensamento representa no mínimo sessenta por cento do pensamento dos magistrados do nosso país.Ali no norte da Índia, eu decidi que passaria minha vida a lutar contra os preconceitos e começaria pelos meus preconceitos. Ali eu aprendi quem eu era , quem eu deveria ser, e o mais importante, que eu deveria ter orgulho de mim e me amar.
Para minha surpresa, assim que chegamos e descemos do ônibus, pensaram que eu era um monge e ofereceram-me um camelo, assim, cheguei montado, como um verdadeiro deus indiano, uma divindade  . No caminho pelos jardins , fontes e o Pálacio, as pessoas vinham me abraçar, cumprimentar e pediam para serem abençoadas.....
Quando o sol se pôs, tingindo o Taj Mahal de diferentes cores crepusculares,  diversos matizes espectrais, com o reflexo no rio Yamuna.Sentei-me só ,no canto esquerdo posterior, junto a um dos minaretes e fui invadido por uma força estranha, indescritível. Não era paz, nem consolo. Talvez um abraço de Deus, ou o despertar do Deus que em mim habita, ou simplesmente a força da vida. Uma energia , um êxtase de se descobrir, um quantum de luz, uma centelha, talvez a iluminação, talvez o Amor... talvez ... ainda não sei... definir, algumas vezes ainda consigo sentir...mas como canta  o Jorge Bem Jor “Foi a mais linda história de Amor”.

OBS: No site do Senado Federal há uma enquete sobre a Lei que tramita no Congresso e que PUNE os crimes cometidos com motivação HOMOFÓBICA. Para construirmos um país verdadeiramente democrático e que as diferenças façam parte  sem exclusão acesse o site e vote SIM.

http://www.senado.gov.br/

Fotos:Fabricio Matheus

domingo, 22 de novembro de 2009

MEU PEQUENO TEATRO DE BONECOS




“O quê é a vida?Um frenesi...
O quê é a vida? Uma ilusão, uma sombra,
uma ficção...
Cujo maior bem é quase nada:
Pois toda A vida é sonho
E os sonhos, sonhos são...”Calderon de La Barca.

O filme Fanny e Alexander do Bergman , começa com o Alexander brincando com um pequeno teatro, é um filme de amor as artes cênicas. Recentemente Desejo e Reparação ou Atonement de Joe Wright, também começa com a personagem Briony com sua imaginação de escritora principiante, brincando com um pequeno teatro elisabetano.
Há mais ou menos dois anos , quando fui a Estocolmo, o Drama Teatret ainda estava em luto pela morte de Bergman e procurei pela cidade por um pequeno teatro como o do Alexander , mas só fui achá-lo em Copenhagen na vitrine da Andersen shop do Hotel Marriott, quando fui encontrar minha amiga irlandesa Davida para um passei no cidade, mas não pude comprar, pois era meu último dia na cidade e a loja estava fechada.
Posteriormente, pedi ao meu amigo que comprasse. E para minha surpresa, ele me disse que não havia mais; pois o senhor que era o artesão e fabricava os teatrinhos havia morrido, e só restava um que eles não vendiam. Talvez, encontrassem no futuro outro artesão para a confecção dos pequenos teatros.Talvez não.
O tempo passou, e eu sempre passava na Andersen shop, na esperança de ver pela vitrine, novamente, o brinquedo que tanto queria. Para minha surpresa , nesta última visita, vislumbrei com alegria nos olhos: exposto na vitrine um novo pequeno teatro.
A Andersen shop só abre das 9 às 12 e das 17 às 20 horas, tive que voltar mais tarde. Retornei como uma criança, feliz pela possibilidade de adquirir o brinquedo que tanto sonhou. Finalmente comprei meu Christian Andersen Fairytale Theatre que vêm com duas histórias, personagens e cenários. A Roupa Nova do Rei de Andersen e O Chapeuzinho Vermelho de Charles Perrault.
Contei a história de minha peregrinação pelo teatrinho para a senhora dinamarquesa que era a vendedora da loja e ela com os olhos tristes e marejados me disse melancólica que possuía o último teatro em sua casa e que o primeiro artesão dos pequenos teatros era seu falecido esposo. Engoli seco e disse:I’m so sorry. Ela sorriu.
Infelizmente não tinha a história da Pequena Sereia, que ela ficou de pedir para o atual artesão e me avisar assim que chegar.
Hoje exibo meu pequeno teatro na sala, montado e já iluminado e todas as noites ao terceiro sinal, a cortina se abre e o espetáculo começa: Era uma vez....


Fotos: Fabricio Matheus

DUBLIN











Para Gerry and Ann


Dublin é a cidade do meu coração. Paris é a cidade de minha alma e Itumbiara minha terra.
O coração às vezes muda de cidade. Mas o que quero dizer é que tenho a sensação que não conheço Dublin, que não ando por Dublin: Flutuo. Em Dublin aconteceu o contrário comigo, apesar de ter visitado a cidade inúmeras vezes, não sei falar de pronto o nome de ruas, áreas e etc... sei que sei me localizar, e isto basta aqui. Em Dublin, sempre fui conduzido, nunca estive sozinho, ou saí sozinho. Aqui, tenho a impressão que conheço mais as pessoas que a cidade. Conheço mais os irlandeses, os dublinenses, os escritores, os personagens e apesar disto conheço muito bem Dublin a minha maneira.
Sempre fico em Sutton Park, perto da Baía de Howth há 10 kilometros da cidade, junto ao mar da Irlanda, na casa dos O’Byrne. Tenho vários amigos entre os parentes dos O’Byrne que sempre visito como Davida e Anthony e os filhos, Tom e Lorene e os filhos Sasha e Lara que eles adotaram na Sibéria. Sasha é um exímio acrobata, é impressionante, desde bebê, acho que seus pais biológicos são artistas circenses.
Dublin é a cidade de grandes escritores que admiro, como: James Joyce, Oscar Wilde, Bernard Shaw, Beckett, William Yeats, Bram Stoker e os modernos e atuais Colm Toibin, Barry Macreae entre outros, este já é um fator que me aproxima desta cidade dos pubs, da Guiness, da conversas e da vida...
Assim descreverei meu pequeno roteiro pela cidade, descendo na Abbey Station, ao Norte do Liffey , o rio que corta a cidade em direção ao porto de Dublin. Passamos pelo Parlamento o Custon House e o  Abbey Theatre, o teatro nacional da Irlanda, conhecido mundialmente pelas produções de dramaturgos como Sean O’Casey e JM Synge. Continuamos até a grande O’Connel Street, cruzamos a Earl Street North onde têm a estátua de Joyce, passamos pelo prédio do Correio/The general Post Office, local histórico da libertação do país em direção a Parnell Square , junto ao The Gate Theatre e o Rotunda Hospital fica o Dublin Writer’s Museum e mais a direita na 35 North Great George’s street o James Joyce Cultural Centre.
No caminho inverso, passamos pela Abbey street, a rua do comércio e à esquerda pela Liffey street , cruzamos o rio pela Há’penny Bridge em direção a parte sul. Já estamos na região do Temple Bar, mais à direita o Dublin Castle e a Christ Church Cathedral. Voltando pela Dame street, na região central em frente ao Bank of Ireland entramos no Trinity College, já no arco principal avistamos o Camponile, atravessamos a Library Square e ao fundo à esquerda temos o Beckett Theatre. A primeira vez, estavam apresentando Esperando Godot, agora : Dias Felizes. A Old Library do Trinity é espetacular e têm o Treasury com o Book of Durrow e o Book of Kells, um dos mais ricos e decorados manuscritos da hstória irlandeza de 806 d.C.. A área do Trinity além dos prédios, praças , é repleta de jovens estudantes de todo o mundo.
Deixando o Trinity College pela Nassau Street e seguindo a Dawson , chegamos ao belo St Stephen ‘s Green, um dos mais antigos parques da cidade, com muito verde , lagos , chafariz. Ao redor do parque estão as casas com as portas coloridas, típicas de Dublin. À esquerda do parque a área dos museus como o National Museum, a Dublin City Gallery com a exposição de Francis Bacon: a Terrible Beauty. Depois a National Gallery, com a atual exibição de gravuras de Munch, em frente a outro lindo parque o Merrion Square, com a estátua de Wilde de Danny Osbourne num de seus verdes cantos. Deixo a cidade e da Pearse Station volto a Sutton Park, aos amigos e a minha família na cidade. Aideen certamente já terá chegado de Malahide com Rob , e os pequenos Sam e Luke . Em família, vamos jantar, beber muito vinho e outros aperitivos e conversar muito sobre tudo.
A primeira vez que fui a Dublin, o assunto era a primeira gravidez de Helen, uma das filhas, que mora na Austrália e eu falei o sexo de Eva que era para ser surpresa. Aideen recém casada com Rob ainda nem estava grávida de Sam e os tempos eram de fartura, altos salários, comprar e vender. Hoje a ordem é cortar gastos e custos.Enquanto bebemos continuamos a discutir sobre o nível alcoólico permitido no país para conduzir os veículos, polêmica, contra a cultura local dos pubs. Certamente se estivesse lá hoje, iríamos discutir sobre a mão boba do francês Thierry que tirou a Irlanda da Copa....



Fotos:Fabricio Matheus

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

PELA SIERRA NEVADA HASTA LA COSTA DEL SOL




"Entre a realidade e a lenda, publique-se a lenda."


Ao som da Maria Bethânia cantando Estrelas e Você Perdeu , saímos estrada à fora em direção a Sierra Nevada que horizonte abraça ao longe a cidade de Granada. Fomos em direção a este maciço montanhoso com seus cumes brancos de neve pertencente ao conjunto das Béticas, parte da cordilheira Penibética da Andaluzia, estendendo a sudoeste pela província de Almería, delimitado a oeste pelo Valle do Lecrín, a leste pelo corredor do Gérgal, ao norte pela depressão Bética e ao sul pelo vale do Guadalfeo. Deste relevo montanhoso, nascem os rios da bacia do Guadalquivir, como o Gentil , o Dúrcal e Trevélez e afluentes do rio Guadalfeo.
Passamos pelos férteis vales e altos de Las Alpujarras, recobertos por castanheiras, nogueiras e alámos nas escarpas meridionais da Sierra onde pequenos vilarejos estão incrustados à beira da rodovia A44 em direção a Laranjón e a Orgiva, fomos montanha acima por estradas adjacentes e estreitas passando pelas cidades brancas de arquitetura originais nas encostas com grupos compactos de casas irregulares com altas chaminés saindo dos telhados planos acinzentados,sempre com mais montanhas ao fundo.
Paramos para um café em Pampaneira, um belíssimo povoado de Alpujarra na Serra da Poqueira, a 1058 metros do nível do mar. A cidade é reconhecida pelo conjunto histórico e artístico, nos perdemos por suas ruelas de pedras com desníveis entre casas brancas com aspecto da era islâmica, com vista esplêndida para Alpujarra e Treveléz. Atrás da igreja, entre cafés e lojas de artesanatos de couro e tapeçarias, a pitoresca fonte de Santo Antônio com águas milagrosas para os solteiros. Pampaneira foi o local do primeiro centro budista da Espanha.
Descemos rumo ao sul e a costa do sol, como as águas que descem como capilares e dão nome a Serra Capelleria com seus campos serrados sobre o vale do Tago do Diabo, fomos deixando as serras para trás a medida que de longe no horizonte aos poucos veio surgindo o cheiro e a vista do mar.
Chegamos a Costa Tropical em Almuñécar, com seu castelo cidade acima, suas areias de pedras cinzas e o mar azul mediterrâneo em direção à África. Fomos à beira-mar em direção leste , passamos pelas Cuevas de Nerja, uma série de cavernas descobertas em 1959, com pinturas nas paredes de cerca de 20 mil anos atrás, alguma câmaras do tamanho de catedrais e hoje com um teatro interno para apresentações.
Em Nerja, caminhamos pelas suas encostas, pelo centro da cidade, com restaurantes e hotéis cheios de turistas, o balcão da Europa e outras vistas. Dorminos no Hotel Perla Marinha e no outro dia pela manhã escura, com um vento forte e chuva que quase arrancava as folhas dos coqueiros, saímos em direção à Málaga , cidade natal de Picasso. De Málaga já com sol e calor deixamos a Península Ibérica e voamos para a Irlanda.

 
Fotos:Fabricio Matheus e Conor O'Byrne