segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

EDUCAÇÃO E SAÚDE



“País sem crítica é país sem liberdade.Afinal, por que você acha que no Brasil passamos do escárnio a idolatria com a maior facilidade?” Daniel Piza

Há no meu cotidiano um simples prazer que é ler alguns cronistas. Estas crônicas lidas semanalmente sempre me ensinam e me fazem refletir de uma outra maneira sobre determinado assunto, ou sobre mim mesmo. São vários os cronistas que leio: Contardo Calligaris, Mathew Shirts, Danuza Leão, Antônio Prata, Rui Castro, Cony e muitos outros, entre eles Gustavo Ioschpe que escreve quinzenalmente na revista Veja, especialista em Educação.
Seus dois últimos assuntos foram a comparação do ensino da educação chinesa com a brasileira e sua indignação entre a decisão de fechar escolas do ensino superior , principalmente na área de saúde por má qualificação e não fechar escolas do ensino fundamental, que sequer são qualificadas e que é a base fundamental em última estância da formação, da educação do cidadão.
Educação e Saúde são pontos cruciais quando se fala em desenvolvimento, democracia . A base de um chamado “Estado de Direito”, no qual independente das diferenças seus cidadões teriam as mesmas chances , ou opções de escolha ,independente de classes sociais.
A educação e a saúde de um país é reflexo de sua cultura, sua história e suas aspirações.
A China se deu conta que para dar seu salto, precisava pragmaticamente investir em educação, sobretudo no educador que é o professor. O problema é que não tinha muito bons professores e sequer mestre capazes de formá-los.
Para resolver o problema , começou aumentando o número de alunos em sala de aula. Os chineses entenderam que é melhor ter quarenta alunos com um bom professor do que vinte , em duas salas , uma com um professor bom e outra com um ruim.
Diminuíu radicalmente o número de funcionários administrativos. Se o fundamental é o professor, aquilo que é menos importante precisa ser sacrificado.
Em seguida , reestruturou a carreira e a remuneração do professor. Coube a um país nominalmente comunista tratar os diferentes de forma diferente.
A China dá uma remuneração básica aos professores, para aumenta-la , há duas maneiras. Obtendo sucesso na prática de ensino, julgada pelo desempenho dos alunos e por avaliações de colegas e diretores e demais envolvidos no processo. Outra forma, é passar  ao nível superior da carreira, demonstrando sua qualidade e se comprometendo com um aumento substancial no número de horas de treinamento.Os aumentos salariais não são gratificações: são uma contra-partida. A remuneração salarial é meritocrática. Todos na educação chinesa são cobrados e valorizados por seus resultados. Cada pessoa é valorizada de acordo com o que agrega ao sistema.
O governo faz um esforço constante para expor seus funcionários e intelectuais a tudo o que acontece no mundo, para que eles possam selecionar o melhor e aplicar no país.
O que dá certo é compartilhado com outras provínicias, até se tornar política nacional.
O coletivismo é outra marca do sistema atual, que se organiza em círculos concêntricos. Todos competem , mas todos se ajudam. Além de um relacionamento escola-familia, há incluso no sistema um exame básico de saúde anual. As escolas recebem a visita de um médico e uma enfermeira que examinar os alunos, e se detectou que problemas simples de se resolver como visão e audição permitiram a milhares de alunos a um melhor desempenho acadêmico.
Além da institucionalização do trabalho do educador que inclui treinamentos, outra características que abrange o projeto educacional e a avaliação e a capacidade de cumprir as metas estabelecidas.
O material didático utilizado, é escolhido e desenvolvido para o local.Isso se torna possível por que há um currículo padronizado, que especifica o que deve ser ensinado a cada aula , com objetivos claros de habilidades e conhecimentos que o aluno deve dominar a cada semestre.
Quando tudo o mais falha, ou seja, uma escola fracassa e não se sai bem. Ela passa por um processo de licitação pública, pedindo as escolas de alto desempenho que elaborem um plano para melhorar o desempenho desta escola ruim.
O melhor plano selecionado, assume a responsabilidade do estabelecimento por dois anos. Neste período, normalmente um alto funcionário da escola boa , se desloca para a escola ruim na companhia de sete ou oito de seus melhores professores , e eles ficam lá pelo menos dois dias por semana em tempo integral. Se a escola ruim melhorar neste período, a escola boa recebe um prêmio em dinheiro que pode ser gasto em melhorias na escola.
A idéia do atual sistema foi de Zhang Minxuan, um dos pensadores da educação chinesa , cuja idéia veio dos Estados Unidos. Assim, o pragmatismo, a meritocracia, o coletivismo, o gradualismo e a abertura ao exterior em ação, faz da China hoje uma potência, com o melhor sistema educacional do mundo.
A saúde como a educação brasileira , se tivesse uma política séria, com finalidade de engrandecimento do país, poderia se valer de ideias como essas. Principalmente ,num esforço, começar a valorizar os pilares destes sistemas que são os professores e os médicos.


Arte:Fabricio Matheus  





TOMBOY e Precisamos falar sobre KEVIN



“ Uma certeza é a distância mais curta entre duas dúvidas”Daniel Piza 
Há uma necessidade na arte de falar sobre o momento atual, talvez , antecipando e nos preparando para um futuro melhor.
Uma questão que me inquieta é a educação familiar.Acho que estã é uma questão de muitos. Os tempos são outros. As famílias estão dividas, hoje têm-se os pais biológicos e os agregados dos pais em caso de famílias separadas, divorciadas. Têm-se os irmãos e outros irmãos...
Por outro lado, os rebentos de hoje, têm proteções, discute-se o “Bulling” , a lei da palmada, guardas compartilhadas e outros tópicos... Há uma “semiologia” da educação e de como melhor educar.
Há o DNA, mas há a singularidade , de cada ser que por mais parecido que sejamos com nossos genitores, há algo que nós define em particular e nos diferencia do todo.
Segundo os livros de psicologia , o caráter esta determinado em torno de 12/no máximo 14 anos. É impressionante observarmos, crianças de 1 ano e meio e já com decisões e desejos tão próprios e determinados.
Por mais  que leio, e ainda sem conclusões definidas sobre tão vasto assunto, acho que a educação familiar é a base do caráter  do indivíduo. A educação familiar não implica em ter-se uma família unida para sempre na lei divina para que seus frutos cresçam melhores, mais a idéia da família, do pai e da mãe, deve ser algo a se consolidar no indivíduo , mesmo na ausência deles. A função principal e psicanalítica da função paterna, seja ela excercida pela mãe, pai, pãe... é o dizer :- NÃO. E por mais , dialogo, compreensão, é do genitor a função de dizer o NÃO. E o NÃO , pode ser dito sem sentido de punição, mas no sentido exclusivo de amor e educação.
Neste final de semana assisti a dois filmes sensíveis e perturbadores ao mesmo tempo. Tomboy  da diretora francesa Céline Sciamma, de extrema sensibilidade conta-nos a história de Laura , uma garotinha que se faz passar por um garoto Michael. Ela se sente como um menino, se comporta como, um filme para refletir e se emocionar, como lidar com esta ambiguidade entre o “ser e o dever ser” , que no final das contas é a nossa  questão diária.
Precisamos falar sobre Kevin, filme inglês , dirigido por Lynne Ramsay, baseado numa história real, com a fabulosa atriz Tilda Swinton no papel de Eva, cujo relacionamento com seu primogênito Kevin, sempre foi complicado, desde quando ele era bebê. Com o tempo a situação foi se agravando, e Eva apesar de achar conhecer seu filho muito bem, jamais imaginaria do que ele seria capaz de fazer. Uma história que já foi contada em outros filmes como “O Elefante “ de Gus Van Saint,  no documentário “Tiros em Comumbine” de Michael Moore e no teatro na peça”Monsters” do sueco Niklas Radstrom sobre crianças assassinas, todas baseadas em fatos reais.
Nestes acontecimentos, ficamos  a mercê de explicações, que não se explicam...Seriam forças metafísicas, talvez demoníacas que os fariam perder a chamada “parte civilizada”, a moral que nos define como diferentes dos animais. E quando tal fatos acontecem , como  lidar com eles, como seguir adiante, quem assume a culpa, de quem é a culpa, se é que ela existe. Talvez  deixemos a culpa e falemos de responsabilidades.
Os tempos são outros, as informações estão velozes, as vezes atrozes . Mas a essência do humano é a mesma , independente dos tempos , das descobertas  , das evoluções científicas. Precisamos estar atento primeiro a nós mesmos,nossos atos, nossos desejos e como direcioná-los, depois aos nossos mais próximos. Parece simples , mas pelo visto , não o é.
Estar vivo pode ser uma dádiva, viver certamente é um constante aprendizado, interminável....até o fim!
Para refletir: "Você não precisa buscar num mundo ilusório os principios da vida; apenas preste atenção aos detalhes da vida e os experimente. É  mais fácil encontrar resposta onde começa a dúvida." provérbio Zen


Arte:Fabricio Matheus

domingo, 22 de janeiro de 2012

“ Paris est une fête”



Em dezembro não fui para Paris mais li “E foram todos para Paris “de Sérgio Augusto  sobre os Americanos em Paris , a geração perdida dos anos 30 , muito bem retratada no filme “Meia-noite em Paris “de Wood Allen, um guia dos passos desses que deixaram a america em busca do “rien faire” e de “quelque chose des plus “ na cidade luz. Li “Paris – Quartier Saint- Germain-des-Prés de Eros Graus que descreve com paixão e poesia , seu bairro predileto da cidade , com efemerides de seu cotidiano , durante suas  estadas  e como atual morador local. E “A História Secreta de Paris “de Andrew  Hussey que faz um passeio pela história da cidade , revelando pontos obscuros dos diversos periodos da mesma.
Estive em Paris em setembro, por uma semana. Eu e Paris , Paris e eu. Fiquei no Hotel Esmeralda, em cima da Shakespeare &Co.
A janela do meu quarto dava vista para Notre Dame, as vezes debruçado sobre o parapeito da janela desviava os olhos da catedral  perdidos em devaneios nas histórias de Victor Hugo e nas paixões de Quasimodo ,  e abaixo  sempre via passar um casal de enamorados de mãos dadas, aos beijos e abraços. Os seguia com os olhos até perdê-los de vista quando atravessavam o Sena, alguns viravam logo a esquerda , e  eu novamente ficava perdido em pensamentos que se misturavam ao céu azul .
Estava ali , perto de Saint-Germaint –des-Prés, e como diz Eros Graus , cada um têm a sua Paris, a minha é do outro lado do rio , no Marais, perto da Places des Voges.
Nesta minha semana com Paris , estava sem  planos concretos, queria somente estar mais uma vez ali .
Cada dia , escolhia uma região e ficava andando, fotografando , sem pressa , sem direção, sem horas, sem norte, flanando a beira do Sena , as vezes sentado  a observar e absorver a cidade.
Visitei alguns museus e revi algumas obras de minha preferência como As Ninpheas de Monet no L’orangerie, mas o estar ali, sem necessidades de nada fazer , ficar horas sentados nos jardins, nas pontes, andar por andar , perdido e reencontrando lugares , paisagens foi um real estar comigo numa das cidades que mais amo.
Jantei como sempre no Julien, com sua decoração art-noveau e seu cardápio impecável. Passei horas descendo a rue du Faubourg-Saint –Honoré, ou na rue Montaigne, vendo as vitrines. Parei na Colette para comprar o meu perfume, comi os macarrons da La Durée . E não fiz nada , mas nada , além de estar em Paris e comigo.
Subi as escadas das Sacré-Coeur , visitei meu Santo Antônio, roubei as velas que lhe acendi, como aprendi com minha amiga.
Claro, que percebi a crise na cidade, no vazio das lojas, nos bistrôs, como descreve Danuza Leão, que hoje servem comida congelada.Nos artigos quase todos “made in China”, mas conservei meus sonhos. Não perdi a ilusão de dantes, e Paris continuou minha… eu como  sempre seu fiel amante  , como são todos que amam Paris… Lembro sempre do   final de Casablanca , quando Humphrey Bogart diz a Ingrid Bergman:- “We will always have Paris”, e há sempre uma esperança neste recorder, como uma luz no fim do tunel: - Haverá sempre Paris…
Sempre que acordava , abria a janela e sem ilusões, meus olhos vislumbravam no horizonte além do Sena e da Notre Dame ,o céu mais que azul donde nascia ao longe como uma música de um acordeon perdido , um sol dourado,  na cidade luz que já amanhecia resplandecente e iluminada…



Fotos:Fabricio Matheus

domingo, 8 de janeiro de 2012

Mudaram-se as estações...



Estágios
As every flower fades and as all youth Como todas as flores perdem a beleza, assim  toda a juventude
Departs, so life at every stage, Se esvai, para que a vida aconteça  em todas as suas  fases,
Todas as virtudes, assimSo every virtue, so our grasp of truth, , como a nossa compreensão da verdade,
Blooms in its day and may not last forever. Floresce em seu dia e não pode durar para sempre.
Since life may summon us at every age Como a vida pode convocar-nos em todas as idades
O coração, deve estarBe ready, heart, for parting, new endeavor, pronto, para o esforço da despedida,
 E de novo, estar pronto bravamente e sem remorsoBe ready bravely and without remorse
To find new light that old ties cannot give. Para encontrar uma nova luz que os laços da idade não pode dar.
In all beginnings dwells a magic force Em todos os começos, habita uma força mágica
For guarding us and helping us to live. Para guardar-nos e ajudar-nos a viver.
Serenely let us move to distant places Serenamente vamos avançando para lugares distantes
And let no sentiments of home detain us. E não devemos deixar que o sentimento de acomodação nos detenha.
The Cosmic Spirit seeks not to restrain us Neste caminho que o  Espírito Cósmico procura sem restrição
But lifts us stage by stage to wider spaces. E nos leva passo a passo para os espaços mais amplos.
If we accept a home of our own making, Se aceitarmos uma ordem  própria por nos estabelecida,
Familiar habit makes for indolence. Nossos costumes só contribuirão para a indolência.
We must prepare for parting and leave-taking Devemos nos preparar  sempre para nos separar,  nos despedir
Or else remain the slaves of permanence. Ou então continuaremos a ser sempre escravos da permanência.
Even the hour of our death may send Mesmo na hora da nossa morte devemos mudar
Us speeding on to fresh and newer spaces, Nos apressando para novas e recentes descobertas,
And life may summon us to newer races. Assim a vida nos convocará sempre para novos desafios.
So be it, heart: bid farewell without end. Assim deve ser a vida, a alma, o coração: -  um  adeus sem fim.”
- Hermann Hesse - Hermann Hesse
No segundo semestre de 2011, fiquei praticamente avastado do Blog, por um motivo surgido pelo próprio Blog e outros acontecimentos no meio do caminho.
O Blog me levou a iniciar um curso de fotografia, e meu último post de julho de 2011 foi exatamente um exercício de fotografia no cemitério da Consolação. Tinha alguns temas que queria escrever, sempre os tenho, e não me escusarei pela falta de tempo, talvez o afastar foi uma necessidade para renovar-me.
Nesta ausência, aprendi mais sobre fotografia. Viajei, voltei a rever lugares já visitados , com outros olhos. Conheci novos lugares com novos olhos. Alguns, que com certeza voltarei com outros olhos.
Entre  pores-do-sol e auroras, encontrei  e reencontrei pessoas. Entre  muitos espetáculos,alguns me emocionaram, outros não...
Entre dores e amores, terminou-se um ciclo de 7 anos de amor, que transformou a minha vida para sempre, como só os relacionamentos são capazes de nos transformar. Jamais serei o mesmo de 7 anos atrás e estar só novamente, além de doloroso, é um ato de coragem  e renovação para que o meu eu siga o meu desejo.
Entre alegrias, nada se compara a divina comédia humana do nascimento. Voltei para casa, e de longe escutei o choro do meu sobrinho. Um choro distante mas que  tinha a força e a beleza da renovação da vida, as estações... Um choro que encheu meu coração de uma alegria indescritível, de uma emoção que também me fez chorar. E  deu-me uma estranha certeza de que aos trancos e barrancos, sou um ser feliz.
Estou  novamente só e sem certezas... Ontem dormi pensando em visitar o México e sonhei que estava em Marrocos. Estou revendo Dancin Day’s  e arrumando os armários. Tenho muita coisa que não uso e quero espaço e simplicidade. É como se repassasse numa sessão de análise minha vida, neste período, em que já começa  meu inferno astral.
Para o ano, eu só desejo e pedi em segredo:- saúde! O resto será consequência e surpresas sempre bem vindas.
Entre incertezas, as certezas, serão as visitas ao meu sobrinho  e a minha família. Quero ir a Houston reencontrar minha tia , minha prima que não as vejo há  anos e conhecer sua família, o Bobby e a tia.
 Também, já é  quase uma certeza, que em fevereiro chegue o Otto von Goethe, um novo ser que fará com certeza um carnaval no meu apartamento e na minha vida, um cãozinho.
De resto,  um dos momentos mais significantes para minha vida neste ano foi no deserto de Wadi Rum, na Jordânia, onde foi filmado o Laurence da Arabia.
Depois de um pôr-do –sol magnifico, fez-se noite estrelada com uma lua cheia. Um clarão , que projetava minha sombra  alongada na areia. Comecei a caminhar descalço e só, no meio do nada. Um ser quase nada, nem precisava estar nu, já o estava. No cosmo, como uma daquelas estrelas, eu pertencia ao universo, como o provérbio zen de algo que é valioso.
 Ali no meio daquela vastidão do deserto, na natureza, eu vi que não precisava de mais nada. Eu já possuía  tudo: - a areia, as montanhas, as estrelas, a lua e eu....
A última noite do ano, passei no hospital de plantão. Para minha surpresa, e sem nada programado, consegui virar a noite na casa de uma grande amiga que mora perto e com amigos do teatro, outra grande paixão da minha vida. Brindei o novo ano com o coração aquecido de carinho e amizade. No dia seguinte, uma outra grande amiga, ofereceu-me com todo o seu afeto, um almoço sublime, que varou a tarde entre conversas e risadas.
A medicina me deu a certeza de uma felicidade estranha que é a de proporcionar  as pessoas que amo , uma morte melhor e digna. A medicina me ajuda a ajudar aos que amo a nascer e a morrer melhor. Pode até parecer triste mas não é, seria como um barqueiro que ajuda na travessia do rio. Isto não me torna um ser melhor, ou mais iluminado, mas justifica um pouco , o intraduzível mistério  da minha vida.
 Certamente, o que me faz melhor são os relacionamentos e as  amizades, acho que isto é fundamental para se descobrir e tornar-se humano.
Termino com a vontade de escrever mais...Com a máxima socrática de que tudo o que sei é que nada sei. E claro , com Shakespeare, Hamlet que como o Edipo rei de Sofocles são as minhas Bíblias, mandalas,  e sempre as primeiras leituras do ano.
“Existe uma previdência especial até na queda de um pardal. Se é agora , não vai ser depois, se não for depois, será agora; se não for agora , será a qualquer hora: - O estar pronto é tudo...Se ninguém é dono de nada do que deixa, que importa a hora de deixá-lo?Seja lá o que for!”.
Foto:Fabricio Matheus "As 4 estações"

sábado, 7 de janeiro de 2012

CONFLITOS!



“Havia uma monja chamada Eshun que era muito bonita. Um dia , durante uma palestra um jovem monge se apaixonou-se secretamente por ela...
Hum?
Ele lhe escreveu uma carta de amor convidando a para um encontro a sós.
No dia seguinte, tão logo o mestre terminou sua palestra, Eshun se levantou e disse ao monge que lhe escreveu a carta...
Se realmente me ama, venha aqui e me abrace.
Se a sua mente estiver dividida por dois desejos conflitantes. Isso destruirá a sua unidade e paz. Lembre-se , quando tiver de segurar algo, segure-o ; quando tiver  de deixa-lo ir, deixe-o....”  Tsai Chih Chung/Zen

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

FELIZ 2012







Arte e Fotos:Fabricio Matheus

segunda-feira, 18 de julho de 2011

CEMITÉRIO DA CONSOLAÇÃO



“Para quê preocuparmo-nos com a morte? A vida tem tantos problemas que temos de resolver primeiro.”Confúncio

Anos atrás quando estava em Paris, minha amiga disse que não deveria deixar de visitar o “ Cimetiere du Pére-Lachaise” . Era minha primeira vez na cidade Luz , onde faria um estágio em Medicina. Estava hospedado na Cité Universitaire na Maison du Brésil desenhada por Le Corbusier. E pensava, com tanta coisa para ver e conhecer por quê visitar uma cemitério. No meu guia eram no mínimo quatro páginas dedicada ao lugar, e enfim acabei cedendo e por outras pessoas que me disseram o mesmo fui ao Pére-Lachaise e foi uma visita inesquecível aos túmulos de Oscar Wilde, Jim Morrison, Alan Kardec, Edith Piaf, Sarah Bernard, Proust, Balzac, Moliere, La Fontaine, Yves Montand,Isadora Duncan, Chopin entre tantos....
Passo todos os dias pelo cemitério da Consolação e já havia lido a respeito da visita guiada e dos monumentos do local, que é reverenciado como “museu a céu aberto”, devido à inúmeras obras de escultores como Brecheret, Galileu Emendabili, Nicola Rollo, Bruno Giorgi, Francisco Leopoldo e Silva. Refletindo o momento do crescimento industrial e econômico da metrópole, parte da história de personalidades e famílias responsáveis pelo que São Paulo é hoje.
A visita guiada deve ser agendada pelo site da prefeitura , ou pelo telefone (11)33963832. Acontece de 2° a 6° das 9:30 às 11:30 ou das 14:00 às 16:30 hrs. Deve se especificar se irá tirar fotos, para que se faça uma permissão assinada no local.O agendamento deve ser feito no mínimo com 48 horas de antecedência e é um serviço gratuíto. Pode se visitar o cemitério sem agendamento. Há um mapa com três roteiros: - Escultores marcados em azul. Intelectuais , artistas e homens públicos em verde e Políticos em vinho, que segundo o guia é de menor interesse. Há os túmulos daqueles que são considerados santos e cultuados como tal. Entre eles o de Antonino da Rocha Marmo. Um pré adolescente que queria ser padre e foi vítima de tuberculose e acabou morrendo muito ,muito jovem. Minha avó era devota, e tinha na canto de seu quarto juntos à outros santos a foto do menino em preto e branco com rosas secas num vidro côncavo. Foi uma emocionante e saudosa lembrança!
O guia do cemitério é o funcionário Francisvaldo Gomes , mais conhecido como “Popó”, que aprendeu tudo com um dos maiores pesquisadores do patrimônio local e arte tumular; o advogado, escritor e historiador, Dr. Délio Freire dos Santos, que hoje repousa sereno no local, com justas homenagens dos funcionários do serviço funerário municipal.
A tarde estava de um sol agradável, temperatura amena. Francisvaldo, o “popó”, com anos de experiência, torna a visita muito mais interessante , contando-nos histórias que lemos e aprendemos nos livros de personalidades como Mário de Andrade, Oswald Andrade, Tarsila do Amaral, Guiomar Novaes, Maestro Chiafarelli, a Marquesa de Santos, Liberó Badaró, Itála Fausta, Pérola Byington, Antônio Alcantâra Machado, Flávio Império, Monteiro Lobato, Emilio Ribas....Das famílias Matarazzo, Prado, Simonsen. Dos políticos como Campos Sales, Washington Luís, Ademar de Barros, Armando Sales de Oliveira e tantas outras histórias interessantes  que vão se misturando aos masoléus e túmulos locais,como o medalhão em bronze da fábrica de Chapéus João Adolfo que mostra um mapa da cidade de São Paulo e do vale do Ahangabaú quando se cultivava o chá com os corregos do vale o o saracura se cruzando na intersecção, onde hoje começa a nove de julho. A tarde foi curta. Muito curta para tantas histórias e tanta arte, com uma vontade de voltar e aprender mais....
Os últimos momentos que passei no local, estava sozinho e voltei à lugares que queria fotografar.É muito fácil se perder , guiando-se somente com o mapa local, e nada encontrar. Há pouca identificação das ruas e quadras , algumas sem saídas. Algumas vezes, como por sorte, depara-se ao acaso com um local interessante ou já procurado.
Nestes últimos momentos,além exímia limpeza local, o que mais me tocou foi uma sensação de paz, serenidade e um silêncio que só era interrompido pelo vento entre as árvores e cantos de pássaros. Foi como se a morte por um instante me mostrasse cordialmente o seu lado oculto, sem no entanto revelar o seu secreto.
 Em nenhum momento desejei morrer , pelo contrário; Confesso,  que  minha escolha pela medicina foi pela não aceitação da morte.Mas no final da tarde de inverno na cidade de São Paulo, por um momento, eu fiz as pazes com algo desconhecido e  talvez tenha sido tocado por  parte do mistério da vida.
Passei na administração para agradecer a cordialidade e gentileza e despedir-me de Francisvaldo, que agora sabendo que eu era médico, pediu-me uma consulta e um conselho, mostrando-me um nódulo no pescoço. Seu colega de trabalho , antes que eu respondesse qualquer coisa, disse : - “popó”, fique tranquilo que seu destino é certo, não precisa nem olhar longe, é aqui mesmo...

Fotos:Fabricio Matheus

Mais fotos :


OBS:As fotos seguem as normas estabelecidas pela prefeitura. Foram exercício para o curso de fotografia da EPA , não serão publicadas e não contém nenhuma identificação pessoal.