terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

PARATY



PARATY
PARA TI
TRINDADE
PARA TI
A PRAINHA DA PRAIA GRANDE
PARA TI
A PRAIA DO SONO
O SONHO
PARATY
OS CASARÕES
SACADAS
PARA TI
AS RUAS E CALÇADAS DE PEDRAS
PARA TI
AS IGREJAS
MONTANHAS
RIOS
CASCATAS
ILHAS
BARCOS
PARA TI
A COMIDA
A CACHAÇA
A BANANA DA TERRA
O TEATRO DE BONECOS
AS BICICLETAS
PARA TI
AS CORES
O CÉU AZUL
AS ONDAS
PARA TI
ALÉM DO MAR
O MAR
PARA TI
ALÉM DO MAR
AMOR
MAIS MAR...
SÓ PARA TI
PARATY.

Fotos:Fabricio Matheus e Conor O'Byrne



sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

RECORDAR É VIVER



"No início, os filhos amam os pais. Depois de um certo tempo, passam a julgá-los. Raramente ou quase nunca os perdoam."Oscar Wilde

"A verdadeira felicidade está na própria casa, entre as alegrias e tristezas da família".Léon Tolstoi



“Toda arte forma de arte está na família” já dizia Lucchino Visconti.Desde a Grécia, o teatro grego, os conflitos e dramas estão na família. Do diretor italiano Rocco e seus irmãos , obra-prima do cinema , cujo grande conflito está no núcleo familiar. Quantos dramaturgos e escritores expurgaram seus demônios expondo seus dramas familiares. Escrever é machucar quem se ama.
Em temporada no Sesc Anchieta o drama “Recordar é Viver” de Hélio Sussekind com direção de Eduardo Tolentino com Suely Franco e o grande ator Sérgio Britto até 27 de fevereiro de 2011 é um grande espetáculo.
Não há como não se identificar com um dos personagens , ou com o drama apresentado da família carioca nos anos 90 , com seus conflitos, cotidianos.
Não há música. O cenário e cenografia de Lola Tolentino passam desapercebidos, é isso é elogio pois o palco é dos atores, a começar por Sérgio Britto, história do teatro. A magnífica entrega de Suely Franco, José Roberto Jardim como o filho trintão derpimido e desempregado,os irmãos Ana Jansen e Camilo Bevilacqua em excelente interpretação e Ana Cecília Junqueira a namorada de Henrique sua única conexão com o mundo externo.
Um ótimo texto , é como diz Sérgio Britto no programa, os personagens dizem ao público alguma coisa que crie interrogações
Apesar de nossos conflitos, nossa história bem ou mal é nossa história. Não podemos escolher nossa família, mas podemos aprender com ela . É o maior aprendizado, é o amor. É saber que fizemos nosso limite, sem culpas. Viver a vida afinal é provar o nosso amor eterno aos pais. Quem é o preferido da mamãe?Quem é o preferido do papai? Eih! Pais, olha quem eu me tornei!Satisfeitos?
Mas provar o amor aos pais, e merecer este amor no final das contas é a grande sabedoria para o nosso encontro, o nosso crescimento;talvez um dos caminhos que devamos escolher para nossa vida independente do que ver a acontecer,  para quê afinal possamos enterrar nossos pais sem culpas, sem remorsos, seja qual for nossa história.
Nos reconhecermos nos nossos genitores é o caminho para a convivência, o convívio pacífico e a expiação da culpa.
É tudo muito simples neste espetáculo, assim como têm sido nos últimos espetáculos dirigidos por Tolentino, ele têm se esmerado em deixar o palco para os atores.
Olhar o passado, é se reconhecer , é saber da sua história. Posso dizer que Recordar é Viver é um grande espetáculo, com atores magnânimos , com atores história, com atores que nos tocam a alma. Suely Franco, Sérgio Britto e todo o elenco nos enche a alma de vida, saímos um pouco mais humanos e tolerantes com nós mesmos, afinal , a vida nada mais é que a construção de um passado, que recordamos e recordamos...Ao recordar, vivemos e vamos vivendo. A vida é tempo...
Toda as vezes que volto ao lar , a casa de meus pais , procuro os álbuns envelhecidos para me reconhecer , e reconhecer a minha história.
Tudo se passa pelo núcleo da família. Estou lendo Omédico das Termas de Arthur Shnitzler, que volta a clinicar numa Terma após a morte, o suicídio da irmã que envelheceu honradamente. Esta semana estreiou O Vencedor, baseado em uma história real dirigido por David Russel, com o Christian Bale que é outro ajuste de contas familiares. Reescrevo este post, pois depois de escrevê-lo, sonhei com minha avó Ana, mãe de meu pai, com o mesmo nome da personagem da Suely Franco, que morreu comigo e que até hoje vive em cada um da família, com a mesma dedicação férrea  e amor que se empenhou para que fossemos alguém de respeito nesta vida. 

PS:”O teatro e eu” de Sérgio Britto, nos ensina não só sobre a arte do ator, mas a arte de ser.Ser talvez nada mais seja que uma construção e crescimento familiar.Um encontro sereno em que o quê queríamos transformar nossos pais, e o quê nossos pais queriam nos transformar, torna-se: - recordar, com a nossa própria construção do nosso eu e a aceitação de nosso eu e nossa família assim como ela é.

Arte :Fabricio Matheus

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

SHORT HISTORY: NOS QUARTOS DE HOTEL by TENNESSEE WILLIAMS


"Há certos pássaros que não têm pernas, então, eles não podem pousar no nada... eles têm que se manter suspensos, agüentar sobre suas asas e estar sempre no céu...."T.Williams

Depois que foram para a cama pela primeira vez , e gozaram juntos, sem vantagens ou desvantagens.Empatados. Sem nenhum conhecimento prévio sobre o outro. Desconhecidos.
Uma das partes sempre pergunta:- Fale-me de você? Eu quero saber tudo sobre você. Tudo! Qual é a sua história?
E você, no fundo do seu íntimo, acredita que talvez , a outra parte esteja não só realmente interessada. Mas verdadeiramente, e de forma até sincera, em conhecer um pouco de sua vida.
Você acende um cigarro e começa a contar... Os dois deitados juntos, nus , completamente relaxados, como duas bonecas de pano jogadas na cama, esparramados...
Você conta a sua história, ou talvez um pouco mais que a sua própria história, com o tempo e nuances que a sua prudência o permite.
E o outro só: É!É!É!É!É!....
Cada vez, e com um pouco mais de lentidão e espaços entre os É!... até somente uma quase inaudível respiração, um leve sussurro, um grunhido...
E então, é claro, um barulho. Uma interrupção. O serviço de quarto toca a campainha e deixa um balde de gelo , com alguns já derretidos.
Você aproveita e se levanta para dar uma mijadinha e se assusta com sua imagem refletida no espelho do banheiro.
E esta talvez,seja sua única certeza, antes que tenha tempo de voltar, no exato ponto onde parou de sua excêntrica e excitante história de vida.
Agora é o outro, a outra parte, que conta sua história. Exatamente , e da mesma forma como você intecionou fazer.Tudo , do começo ao fim...
Agora, é você quem diz: : É!É!É!É!É!....cada vez mais lento e mais espaçado, até finalmente se perder numa longa vogal qualquer ou num som quase inaudível.
Lá fora, escuta-se o elevador parar . Passos no corredor em direção à esquerda até desaparecer. ..
Últimos suspiros.Profundos, exaustos ...a derradeira respiração e então os dois adormecem...
O primeiro, o mais esperto, o mais vivido, continuou com o cigarro acesso no canto da boca. E é assim que a pessoas  pegam fogo,  incendeiam-se  e morrem nos quartos de hotel.

Tradução:Fabricio Matheus
Arte:Fabricio Matheus



TENNESSEE WILLIAMS -100 ANOS


“Sinto que habito meu próprio país, que é justamente aqui na minha mente... é aqui que tudo acontece..." T.Williams

Tennessee Williams (1911-1983) um dos maiores dramaturgos americanos. Aprendi muito e aprendo com suas peças , poemas , histórias... Na comemoração dos 100 anos de seu nascimento, quero postar pequenas pérolas deste poeta do ser humano, que tinha uma admiração enorme por Tchecov.
Começo com uma poesia de A Noite do Iguana(The Night of the Iguana) , escrita como um conto em 1948.Transformada em peça , teve sua estréia na Broadway em 1961. Filmado em 1964 por John Huston com Ava Gardner , Deborah Kerr e Richard Burton no elenco.

A Noite do Iguana

Como tão calmo o ramo da laranjeira
Observa no céu a aurora
Sem um grito, sem uma oração,
Sem engano ou desespero.

Às vezes quando cai a noite e escurece a árvore
O auge de sua vida presente já será
Passado para sempre, e a partir daí
Começa uma outra história.

Um período já não tão dourado,
Um acordo com a névoa e o espaço,
E, finalmente, encontrar o seu lugar
Para em seguida, tombar à terra.

Uma troca mal resolvida
Para seres de uma espécie dourada
Cujo verde natural como escudo protege
Do corrupto e obsceno amor terrestre.

E ainda  assim as frutas maduras e os ramos
Observam no céu a aurora
Sem um grito, sem uma oração,
Sem engano ou desespero.

Oh! Coragem, não poderia tão bem
Escolher um outro lugar para morar,
Não somente naquela árvore dourada
Mas no meu tão frágil e amedrontado coração?

Tradução:Fabricio Matheus
Arte:Fabricio Matheus



segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A SENHORA DE DUBUQUE DE ALBEE


“Você escreve para tentar fazer com que as pessoas acreditem naquilo que você quer que elas acreditem”E.Albee

"Todo homem é um abismo, a gente fica tonto de olhar pra dentro dele"Georg Büchner


O teatro Paulo Autran do Sesc Pinheiros iniciou na última quinta –feira a temporada Da Senhora de Dubuque de Edward Albee.
Albee, 1928, pode ser considerado como um dos mais famosos dramaturgos vivos. Conhecido mundialmente pela peças The Zoo Story (1958), Quem têm medo de Virgínia Woolf?(1962), Três Mulheres Altas (1994), A peça sobre o bebê (1996), Cabra: ou Quem é Sylvia?(2002), entre outras , algumas não montadas por aqui. O quê não lhe garante sucesso, como aconteceu com a estréia desta Senhora de Dubuque (1977/1979) e sua última peça Me , Myself and I (2007) estreou o ano passado e  não ficou sequer duas semanas em cartaz  na Broadway.
Albee foi adotado por uma família rica, seu pai gerenciava um teatro de Vaudeville e ele sempre esteve interessado em artes e poesia.Considerava-se um eterno visitante da casa adotiva, foi morar no Greenwich Village aos 13 anos, completando sua educação com os pintores expressionistas da época, teatros off-off Broadway e leituras de Genet, Beckett e Ionesco entre outros, daí o caráter psicológico, que analisam e desmascaram as crises existenciais dos personagens e da sociedade atual. Sempre responde que escreve sobre o que lhe aflige, com aquilo que têm na cabeça, bem simples, fácil e verdadeiro. Acredita que exista uma mensagem na sua arte, que as pessoas só vivem uma vez, e o que poderia ser pior do que chegar ao final e perceber que não havia vivido. Talvez essa seja uma das questões da peça?
A Senhora de Dubuque, teve sucesso somente em 2007, nos palcos londrinos, com o elenco encabeçado pela grande atriz Maggie Smith. A idéia, texto e a indicação para a montagem brasileira surgiu de Beatriz Segall que ouviu comentários sobre a montagem londrina através dos amigos e tradutores Andrés e Fiks.
A peça começa com uma festinha e jogos de adivinhação. Lembrou-me um pouco A Festa de Abigail(1977) de Mike Leigh(1943), coincidências, são contemporâneas.
Alguns personagens são caricatos. E sabe-se que a dona da festa esta para morrer. Os personagens vão se revelando pela frente e por trás de suas atitudes. Com influência específica e direta do teatro e diálogos de Pirandello; muitas vezes rompem a quarta parede e se dirigem a nós, espectadores , ali , também parte da festa.O tema corrente e a pergunta que não se cala:- Quem é você?
Como você pode querer saber quem sou eu, se você não sabe ao menos quem é você?
No segundo ato, aparece a Senhora de Dubuque com o fiel escudeiro Oscar. A senhora cujo nome é Elizabeth insiste em ser a mãe de Jô, e que está ali para ajudá-la.
As frases sobre racismo, os atos falhos, são verdadeiras pérolas nas falas dos personagens. A montagem dirigida pelo mais conhecido como ator Leonardo Medeiros e com elenco encabeçado por Karin Rodrigues, Alessandra Negrini, Joaquim Lopes, Edson Montenegro, Patricia Pichamone, Sérgio Guizé, Carolina Manica e Luciano Gatti . Todos com uma trajetória teatral  exemplar , os únicos que não  os conhecia atuando, eram o Joaquim Lopes e a Carolina Manica. Estão todos excelentes e com igual presença cênica, outro fator que contibuí para a qualidade do espetáculo.
 A iluminação de Beto Gruel é parceria perfeira com a trilha de Lulu Camargo. A cenografia de Mira Andrade não compromete , assim como os figurinos.
Os personagens de Albee sempre bebem e fumam muito. Nesta montagem, eles não fumavam. Todas as peças hoje em cartaz em Nova York cujos personagens fumam, exibem anúncios gigantes avisando que os cigarros utilizados são de ervas e falsos. Há uma certa hipocrisia e perda da liberdade em favor de uma nova ética, uma nova postura em favor da saúde e bem- estar que é quase uma ditadura.
Se você já sabe quem você é, esta peça é mais uma grande oportunidade para refletir seu verdadeiro ser, seu eu-real. Se você ainda não sabe , não perca!Talvez seja uma luz, o começo para uma descoberta. A Senhora de Dubuque é uma ótima opção teatral nos palcos paulistas.

Arte:Fabricio Matheus

SPFW


"O meio mais eficaz para obter fama é fazer o mundo acreditar que já se é famoso."
Giacomo Leopardi

Tenho por hábito correr no parque do Ibirapuera às segundas e terças pela manhã. Hoje ao chegar , notei de longe os cones branco e laranja e uma movimentação maior que o normal; lembrei-me logo que era pelo São Paulo Fashion Week.
Estacionei o carro defronte a aranha do Emanoel Araújo e na frente do MAM, um grupo fashionistas com câmeras e cadernos às mãos, esperando a saída de algum famoso.
Nos locais onde me alongo, antes da corrida, todos lotados, com um outro público, não mais os “midle-age” , mas jovens, somente de bermudas, sem camisetas e com as cuecas à mostra. Fiz o de costume e comecei minha corrida pela pista central. Volta e meia, um jovem descamisado, parado, pousando, talvez à procura de ser descoberto.
Acho que não fiz feio, estava de pretinho básico e com uma casquete D&G. Posso dizer que não comprometi, e para minha surpresa quando os olhava; ao contrário do que acontece normalmente com os bofes que fazem carão, viram a cara, quando não te agridem com palavrões. Eles, digo, estes de hoje, não só retribuíam os olhares, como faziam caras e bocas. Meu ego foi às alturas. Comecei a duvidar, se o que eu via era real ou um sonho.Talvez eu tenha cara de olheiro ou coisa parecida...
Em frente ao prédio da Bienal, grupos de garotas, gays e afins, discutindo, mandando torpedos, e-mails... conectados lá e com o mundo virtual, o universo .
Dando dicas para os amigos procurar no Google tal pessoa, que tinha acabado de entrar e era um “puta gato”: Matheus isso, João aquilo....Frases como:- Simpático é para gordinhos, eu nunca vi um magro ser chamado de simpático.E outras frases que ouvia quando passava correndo.
Os jovens descamisados, alguns com topetes e laquê , certamente perderam mais tempo fazendo o cabelo que escolhendo a bermuda. As cuecas zorba, mash e no máximo uma ou outra Calvin Klein, muitas havaianas.E se não fosse por estes pequenos detalhes , eu já pensará que o desfile acontecia ali mesmo, à beira da pista, uma moda-praia no parque ... Alguns de bicicleta, cujo vento, milagrosamente não desmanchava sequer um fio de seus cabelos perfeitos e prontos, arriscavam se exibir em equilíbrio sobre o cano e o guidom.Verdadeiros acrobatas... Com tanta coisa acontecendo, eu nem percebia que corria, e assim mesmo continuava a correr.
De repente, acho que na metade da segunda volta, os rapazes desapareceram... Minha dúvida aumentou. Estaria eu tendo alucinações...Perdido em meus pensamentos, passo novamente pelo prédio da bienal que agora estava com refletores ligados em plena e clara manhã.Grupos e mais grupos espalhados ao redor da entrada principal e mais conversas dos grupos à beira- da pista. Talvez acontecia um desfile relâmpago de quinze minutos, lancei meus olhos para ver se flagrava ao longe a Gisele Bündchen , a Demi Moore ou o Ashton Kutcher , mas não vi nem o Neymar.
Continuei a correr e já no começo da terceira volta, os garotos voltaram aos seus postos. Perdido nas paisagens de peitorais, e abdomens perfeitos, torci de leve o pé e quase que me deixo cair ao chão para ver se algumas das beldades, benevolentemente, ajudasse com o que mais o ser humano precisa: -da bondade dos outros!
Continuei pelo belvedere até terminar a quarta volta.Os meninos descamisados como um jardim de estátuas vivas de beleza e juventude, todos a postos, procurando seu lugar ao sol dos flashes e fama.
Depois de alongar-me, passei pelo prédio da Bienal e outra leva de fashionistas chegavam.Alguns modernos, com maquiagem.Muitos Sun-glasses, enormes. É como diz a papiza  da moda brasileira,Constanza Pascolato : - Fashion que é fashion nunca tira os óculos escuros.Como dizia Raul Seixas: - Quem não têm colírio usa óculos escuros.
Muito roxo e amarelo e padronagens florais.E sempre , muitas havaianas...Fotógrafos com máquinas enormes e mais sacolas e sacolas de equipamentos. Os modelos propriamente ditos, despojados, despenteados, de jeans ,camiseta branca e mochilas...Os funcionários reclamando de que estava chato, não sei o quê?.
Ninguém me fotografou, não que eu notasse. Talvez algum paparazzi? Talvez tenha participado de algum desfile ou performance? Dúvidas! Talvez amanhã na página de algum jornal apareça uma foto minha? Talvez seja eu o descoberto nesta manhã de segunda do SPFW? Talvez alguma garotinha tenha tirado uma foto minha com o seu i-phone. Talvez tantas coisas !!!
Enfim, saí do parque sem as incertezas dos descamisados que iluminaram a minha manhã. Certamente um deles entrará despojado pela porta da frente na próxima edição, todos eram lindos. Não cruzei com nenhuma celebridade, e minha única certeza é a de que voltarei a correr amanhã...

Desenho:Silvio Oppenheim





sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

DIARIO DA CORTE V



Vissi d’arte, vissi d’amore,
non feci mai male ad anima viva!
Con man furtiva
quante miserie conobbi aiutai.
Sempre con fè sincera
la mia preghiera
ai santi tabernacoli salì.
Sempre con fè sincera
diedi fiori agl’altar.
Nell’ora del dolore
perché, perché, Signore,
perché me ne rimuneri così?
Diedi gioielli della Madonna al manto,
e diedi il canto agli astri, al ciel,
che ne ridean più belli.
Nell’ora del dolor
perché, perché, Signor,
ah, perché me ne rimuneri così?

Nova York é cortada por metrôs, como Paris, como deveria ser São Paulo. Levei exatos 10 minutos de metro da 34 ao Lincoln Center.Minha primeira Ópera neste complexo de arte e música foi em meados dos anos 90 e foi Madame Butterfly de Puccini, que entre La Traviata são as minhas preferidas. Adoro um drama, lágrimas, dor , sofrimento e muito , muito amor!!!!
Já tinha visto uma montagem de Tosca em Bologna, e não tinha expectativa nenhuma, mas sempre que visito Nova York, entre novas peças , principalmente off-broadway, procuro sempre assistir um espetáculo no Lincoln Center, que têm três salas, a de Ópera central , à direita de música clássica e à esquerda geralmente de ballet.Já vi o Quebra – Nozes, Aida, entre outras Óperas e até o ballet Les Sylphides.
Confesso que estava cansado, não parei um instante. Mais mal a cortina se abriu, e Tosca começou, o espetáculo foi tão contagiante que acabou sono, cansaço e tudo o mais. Na ária Vissi d’Arte, a soprano Sondra Radvanovsky fez o Met parar, eu fiquei sem respirar , assim como todo o teatro. A cantora comparada a Callas foi ovacionada por mais de 15 minutos, fiquei tão facinado que perdi a compostura e fui perguntando sobre o que as pessoas tinham achado. Sondra hoje leva as pessoas ao Met.
Muitas assistiam a montagem pela segunda vez, o que contrariou as críticas , pois quando esta montagem dirigida pelo diretor cênico suiço Luc Bondy’s estreou no ano passado, foi um fracasso de crítica, pelos cenários limpos, às vezes compardos à pintura de Edward Hopper, mas que o tempo e o público consagrou como uma grande montagem.
Segundo o programa o diretor quis deixar a cena limpa e privilegiar a música, os interpretes e as canções; por isso selecionou os melhores .
Sondra como Flora Tosca , emocionou e encantou o Met lotado. A soprano com voz de timbre incomum e vibrato rápido, timbre agudo, especializada em Verdi, fez sua estréia como a Mimi de La Bohème , com formação em arte dramática , têm uma sensibilidade e presença cênica espetácular.
No intervalo, entre o segundo e terceiro ato, bebi minha champagne “comme d’habitude” para celebrar minha viagem e minha vida.
Aliás na última vez que estive no Met, cometi um mico leão dourado. Na na fila para comprar a champagne, o senhor na minha frente pediu uma, em seguida , eu disse : “ The same” , pensando ser a champagne da casa, mas era uma francesa a $18 dolares a taça.
Marcelo Álvares, tenor argetino, interpretou Cavaradossi, com qualidade , mas certamente com menos brilho que Sondra, seu “Lucevan le Stelle” foi bom, mas não deixou o Met sem respirar.
Terminei minha viagem com chave de ouro, como o teto do Met. Voltei encantado e apaixonado pela voz de Sondra.
Precavido tinha comprado um despertador na Canal Street, pois teria que acordar ás 3:30 para ir para o aeroporto e voltar ao Brasil.
Agradeço meu primo pela hospedagem.Foi mais uma viagem em que vivi e aproveitei cada segundo intensamente, that’s the life! Cheers!.

www.sondraradvanovsky.com

Fotos :Fabricio Matheus