sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

DIARIO DA CORTE IV



Da imensa janela do 19° andar do apartamento do meu primo,Nova York amanheceu nevando. Como não encontrei um adaptador para a tomada, a bateria da minha pequena câmera cyber-shot acabou. Minha única solução seria sair com minha nova câmera, que ainda  não sabia nem como ligar.
Peguei o mêtro em direção up-town, e meu objetivo era comprar um GPS. Parei no Columbus circle e comecei a andar pelo Central Park, tirando fotos de detalhes que me chamavam a atenção.
Apesar da neve, que caía lenta , não estava tão frio. Passei novamente pelo MOMA e 5° avenida, tinha em mente que não gastaria mais que 150 dolares.
Novamente revi e fotografei as vitrines que mais me chamaram a atenção. No Best Buy, quase comprei o tal do GPS, mas resolvi esperar, e este foi o mico da minha viagem. Quase defronte a Biblioteca Municipal vi uma loja de eletrônicos e um GPS de 98 dolares com 30% de desconto. O problema é que os 98 dolares não era o preço do GPS e sim o desconto. Caí literalmente no conto do vigário e perdi cerca de 20 a 30 dolares, e fui me consolar com a estatua de José Bonifácio no canto esquerdo do Bryan Park. Lembrei de uma dica , jamais compre eletrônicos nas pequenas lojas da 5° avenida, tarde demais.
Resolvi não lamentar com a máxima só perde quem têm. É preciso estar atento! Finalmente na volta achei um adaptador e consegui dar um pouco de carga na bateria de minha pequena câmera, senão ficaria sem fotos, pois ainda não sei como passar as fotos da nova câmera para o laptop, preciso ler o manual e praticar. Não vejo a hora de começar meu curso de fotografia!
À tarde fui no Meat District, que iniciou seu boom há uns 10 anos, quando um grupo de gays fashions começaram a mudar para a região, devido ao bom preço dos imóveis. Hoje é uma área extremamente “trendy” com ótimos restaurantes e lojas fashions badaladas, um set do Sex and the City, e com os preços elevados.
O Meat district fica entre Chelsea e Soho.Era uma área de depósitos de carne e açougues, ainda o é, e próximo ao Pier 59. Era uma área escura e de pegação gay durante à noite ; ainda têm um pouco de cruising nas altas madrugadas...segundo me informaram!!!!
Com a ocupação da área pelos gays , o bairro foi se transformando. Os galpões transformados em lofts, restaurantes, boutiques de flores... Algumas grandes grifes começaram a abrir suas lojas no local e modernas construções foram se erguendo.
À partir da 19 street West, foi construído um deck. Uma plataforma que é uma caminho de madeira com visão para o Pier e para Manhatan , sempre com o Empire States ao fundo. Pode se caminhar por esta plataforma, que é como um parque , cheio de bancos e sequóias... Nos arredores, prédios habitacionais, empresariais e hotéis com uma arquitetura extremamente moderna: formas, vidros , reflexos...
A plataforma termina quase no Village, neste miolo, estão espalhados como já escrevi estes novos restaurantes, hotéis , lojas...e museus ;como o New Museum de Chesea, que é uma construção toda branca, como se fossem caixas sobre caixas, sobrepostas, algumas tortas, muito interessante! Apesar do acervo interno não ser grande coisa, há uma biblioteca especializada em artes em geral.
Caminhei, caminhei e caminhei por horas observando tudo , fotografando tudo. .. Quando começou a escurecer voltei para o apartamento, iria assistir Tosca no Metropolitan Opera House.

P.S. Facebook é mais que um site de relacionamento, hoje, na América é mais que um verbo, pode se dizer que é um modo de vida.Todas as lojas exibem o logo e a frase: Facebook Us!!!!!!
Isto me lembrou o ínicio dos celulares com phones, quando  visitei a cidade e achava que as pessoas eram loucas, pois sentavam solitárias nas mesas e falavam sozinhas. .. Como sou um pouco lento, perguntei o quê acontecia e me disseram  gozando na minha cara de caipira  que elas  falavam no mobile phone!!!! Nova York é uma cidade de uma multidão de solitários, talvez a América? Talvez o mundo esteja mais solitário, daí o sucesso do Face e a genealidade de seu criador que o transformou no mais novo bilionário e no mais novo sonho americano. 

Fotos:Fabricio Matheus




quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

DIARIO DA CORTE III


Comecei pelo Guggenheim, onde sempre vou rever Kandisky. O museu atualmente passa por uma reforma interna para receber a próxima exposição, as rampas estão fechadas, assim como o terceiro e quarto andar. A melhor exposição , inesquecível que vi neste museu foi O Brazil Body & Soul produzida pelo Edemar Cid, recém despejado de sua mansão no Morumbi. O altar de ouro de Olinda preenchia todo o átrio do museu. As rampas pintadas de preto com uma iluminação ressaltava os traços dramáticos dos nossos santos barracos. O último andar com a coleção de arte plumária, quem viu nunca esquecerá.Conheço americanos que visitaram a exposição mais de três vezes.
Tenho uma historia pessoal com Kandisky, a quem conheci na França, em Paris, durante meu estágio em Medicina Fetal. Meu professor e orientador era apaixonado por este pintor russo, que fez sua vida na Europa, lecionou na Bauhaus entre outros movimentos artísticos que pertenceu durante o século XX. O seu entusiasmo pelo pintor , contagiou-me e passei a ler e aprender com os livros do mestre russo como O Espiritual na Arte, entre outros.... Na minha última visita a New York, passamos uma tarde numa visita guiada com explicações e interassões , vivências no Guggenheim com a obra de Kandisnky com um professor japonês, com os cabelos descoloridos e unhas pintadas de preto, uma figura à parte.
Visto e revistos os Kandiskys com suas geometrias, cores e música; fui para a Neue galerie, também na quinta avenida, que abriga principalmente a coleção dos artistas vienenses como Gustav Klimt e Egon Schiele, esta foi minha primeira visita. Os desenhos e estudos dos dois artistas são primorosos. A galerie têm um acervo de objetos de art-decô e um charmoso café com vista para o Central Park.
Mais vitrines pela Madison e segui para Downtown: Brooklin Bridge, Wall Street, Estatua da Liberdade, Soho, Tribeca, Greenwich Village e aja energia e pernas.
Deixei as compras e corri para o café Carlyle para ver Woody Allen e sua New Orleans Jazz Band.O café Carlyle fica no elegante Hotel com o mesmo nome na Madison com a 76st. Woody toca todas às segundas às 20:45. À partir do dia 1 a 12 de fevereiro entra em temporada o brasileiro Paulo Szot, que fez sucesso com o musical South Pacific, entre outras estrelas que dão seus showzinhos neste charmoso e elegante bar, pequeno com suas paredes pintadas com motivos referente as artes e com um traço que lembra Chagall.
O Bar é também um restaurante.Deve se fazer reserva , e está quase sempre lotado. Algumas pessoas como eu, assistem o show de pé, (stand up tickets). O couvert artístico é de $86 e deve se consumir no mínimo $22, imagine os preços dos pratos! O show começa no horário e Mr.Allen estava do meu lado 20 minutos antes com uns amigos, montando seu instrumento, clarineta. As músicas são demais, improvisos, piadas, tudo muito descontraído, mais de uma hora de felicidade, uma viagem .
Valeu cada dollar, ou cent... Woody Allen novamente encheu meus sonhos e alma com sua música jazzística assim como já os fizerá com seus filmes. Extremamente simpático, perguntou-me de onde era e respondi: Brasil!.

Fotos:Fabricio Matheus




DIARIO DA CORTE II



Meu primo mora na 33, perto da Penn Station. Minha primeira visita foi ao Museu de História Natural. Aprendo cada vez mais com os animais a me tornar mais humano.
Coincidências ou não, este foi o primeiro museu que visitei na cidade, quando da primeira vez. Mas nunca mais voltei. Com a minha evolução no tempo, desta vez foi o primeiro que quis visitar.
O Museu de História Natural é um mundo, têm todos os tipos de conhecimento humano que se interesse, dos dinossauros ao modo de vida e evolução das diferentes espécies animais e humanas; étnicas.Fiz o programa completo, assim passei quase 5 horas dentro do museu e posso dizer que não vi quase nada. Comecei com a mostra sobre o Cérebro, uma viagem pelos hemisférios, coordenações, áreas, mapeamento e evolução deste complexo e fascinante órgão , ainda com mistérios a descobrir.
Corri para o terceiro andar para assistir aos quase 40 minutos da evolução dos dinossauros. Um filme extremamente bem feito, quase 3D. Depois desci para o primeiro andar, para o planetário e assisti a evolução e nascimento das estrelas e do sistema solar, formações de nebulosas, buracos negros, estrelas cadentes, mudança da corona solar, anéis de Saturno, satélites.... meu cérebro já estava derretendo com tantas informações. Subi para o segundo andar para a sessão Borboletas, uma estufa lotada de inúmeras borboletas, quente e úmida. Lembrei de minha amiga que conheci na Índia, que adora borboletas e construiu o seu Solar das Borboletas em Nazaré Paulista, entre outras amigas loucas e adoráveis como a Ju, colega de palco que tatuou uma borboleta próximo do púbis. Particularmente , foi a parte menos interessante. Quando você sai da estufa, as americanas quase checam o seu rabo para ver se não têm nenhuma butterfly perdida!!!!!
Stress, peguei um taxi para o Laura Pels Theatre , para a matinê da peça The Milk Train doesn’t stop here ANYMORE, com a fantástica atriz Olympia Dukakis, especialista em papéis femininos de Tennessee Williams, esta peça foi filmada com a Elisabeth Taylor , e pode-se se dizer têm um pouco de todos os outros personagens de Tennessee. Flora é uma senhora que esta escrevendo suas memórias com a ajuda de uma ghost writer, uma secretária na costa azzurra na Itália e recebe uma inusitada visita de um jovem que conhecerá há anos. Christopher seria a última esperança , ou o anjo da morte , desta personagem tão frágil como a Blanche ou Amanda, ou as outras mulheres-homens do dramaturgo. Uma ótima peça. Os diálogos são geniais, com um humor inteligente: Se até os passaportes têm sua data de validade , por que seria diferente com os convites???....
Quinta avenida, vitrines, que como bom brasileiro e bem do interior, sempre adorei ver vitrines. Em Nova York , assim como Paris, passo dias vendo vitrines até embaraçar a visão... Para completar o cardápio do dia: MOMA. Definitivamente o MOMA é o melhor museu do mundo. O acervo permanente com O Demoiselles D’Avignon de Picasso, que mudou definitivamente o olhar e a arte do século XX, já vale a visita. Chagall, Van Gogh, Matisse ... são tantos. OS Hotkos são de se olhar de joelhos, Pollocks imensos e outros do expressionismo nova-yorkinos como Motherwell, De Kooning. Com tanta experiência em um só dia senti até uma dor na alma e no peito. Uma exposição sobre desenhos e traços no século vinte entre Kandisky, Schitters, estava Ligia Clark. Poderia morar no MOMA!!!!!!!
Voltei caminhando para casa, pela quinta avenida, Times Square iluminada com o clarão de seus neons. Na cama minha retina pulsava, minha alma pulsava com tantos estímulos, quase explodi como uma nebulosa, e como uma estrela cadente, caí num sono profundo.

Fotos: Fabricio Matheus




DIARIO DA CORTE I (NEW YORK)


Nova York! Como diria um diretor de teatro amigo meu:-É Nova York(ponto!)!.
Decidi no ínicio do ano, vir rapidamente à Nova York. Tinha uma passagem que venceria e seria uma desculpa para comprar uma máquina fotográfica, minha próxima formação:-Fotográfo.
O aeroporto estava calmo, diria vazio. Sem filas, check in rápido, revistas rápidas, quando me vi já estava decolando e no ar.O vôo não estava lotado, estava tão cansado que depois do café-da-manhã, dormi e só assisti ao filme Rede Social, não consegui fazer mais nada, fiquei jogado na cadeira, ainda bem que consegui lugar na saída de emergência. No avião da Tam, a maioria brasileiros,e a conversa básica :- compras. Eletrônicos, roupas, New Jersey...
O avião não atrasou, a fila da alfândega e passaporte também não. Somente as malas que demoraram mais de uma hora para descer na esteira.
Com o atraso e tudo mais, fui chegar no apartamento do meu primo, que infelizmente , estava em Londres a trabalho por volta das 20:00hrs, claro que cansado, mas não podias deixar de dar uma olhada na cidade.
Dei um pulinho na Times Square, sempre iluminada com cada vez mais equipamentos de alta definição, uma festa de cor para os olhos. Passei no Rockfeller Center e patinei com o olhar as pessoas que patinavam na pista de gelo. De qualquer lugar o Empire States e a torre da Chrysler. É estava novamente em New York.
Voltei para o apartamento, com uma janela imensa para o Skyline da cidade iluminada pela noite e lembrei-me da primeira vez e das outras que visitei a cidade.
A primeira vez , ainda lia semanalmente o Paulo Francis e como fiquei na casa de um amigo jornalista , minha primeira visita foi ao estúdio do Manhattan Conection.

Fotos:Fabricio Matheus.