quinta-feira, 23 de setembro de 2010

PRIMAVERA ....


Fotos:Fabricio Matheus

terça-feira, 21 de setembro de 2010

ROBERTO FREIRE, UM ANARQUISTA(1927-2008)



A literatura de Roberto Freire foi fundamental na minha vida, principalmente os livros Cléo e Daniel e o Coiote. Eu queria ser um coiote, livre, em comunhão com a natureza.
Roberto Freire me ajudou a crescer, a querer a liberdade que ele vivia, acreditava e escrevia. Através dele eu sonhei em ser um ser melhor. Pelos seus livros conheci Visconde de Mauá e suas lendas, a Canção da Terra de Mahler , inspirada nos poemas chineses.
Depois assisti a algumas de suas palestras na sede do Soma em Perdizes. Ouvir Roberto Freire falar era como ouvir o Zé Celso, ou assistir uma peça da Denise Stoklos.Os seus livros, peças de teatro e contos me faziam crer na possibilidade da liberdade plena.Certamente me fizeram ser um pouco mais verdadeiro comigo mesmo.
Roberto Freire foi médico, psiquiatra, escritor, dramaturgo, diretor de teatro , cinema e televisão, autor de telenovela, letrista e pesquisador científico, conhecido por sua técnica teraupêutica denominada SOMA(Somaterapia), terapia corporal utilizando dança e capoeira e baseada nas teorias psicanalíticas de Wilhelm Reich e de conceitos anarquistas. Freire se apresentava como “anarquista, escritor e terapeuta”.
Entre suas obras literárias figuram Cleo e Daniel, Sem entrada e sem mais nada, Coiote, Utopia e Paixão, Sem Tesão Não Há Solução, Ame e dê Vexame, contos eróticos, literatura policial e infantil, para o teatro: Quarto de Empregada, Presépio na Vitrine, entre outros.
Na televisão , escreveu para a TV Mulher, a telenovela O Amor é Nosso e A Grande Família. Em 2003 lançou a autobiografia Eu é um Outro.

Arte:Fabricio Matheus

D.CAROLINA JOSEFA LEOPOLDINA, I IMPERATRIZ BRASILEIRA



Nós, pobres princesas, somos tais quais dados, que se jogam e cuja sorte ou azar depende do resultado” D.Leopoldina.

Sempre fui fascinado e sempre senti uma imensa compaixão pela história de nossa primeira Imperatriz.
Carolina Josefa Leopoldina nasceu em 22 de janeiro de 1797 em Viena, filha de Francisco II e sua segunda esposa Maria Teresa de Napóles –Sicília, linhagem direta dos Habsburgos. Sua infância e adolescência transcorreram na época da ascensão e derrota de Napoleão. A arquiduquesa foi criada entre os castelos de Hofburg em Viena, o palácio imperial de Schönbrun e o palácio de Hetzendorf, sendo acostumada e educada segundo ao cerimonial da corte e preparada para seu futuro papel de esposa e mãe temente a Deus e submissas.
Cada arquiduquesa possuía uma corte própria e posteriormente uma preceptora superior. Por volta dos 7 anos começavam com as aulas de leituras, escrita, aritmética, alemão, francês, italiano, em seguida dança, desenho, pintura, história , geografia, música e cravo. Na segunda fase da educação havia adicionalmente matemática, literatura, física, latim, canto e trabalhos femininos. A educação de Leopoldina abrangeu as disciplinas de ciência naturais , pelas quais demonstrava especial inclinação como a zoologia, mineralogia e botânica. Leopoldina era muito ávida por saber, além de gostar de ler de forma geral e das aulas de piano. Na corte esteve em contato com figuras celebres das artes como Beethoven e Goethe.
Leopoldina era muito religiosa, orava e meditava regularmente. Sua compaixão para com os aflitos e pobres decorria desse sentimento religioso. Leopoldina , conheceu a Boêmia, parte da Hungria , Bratislava, hoje Eslováquia. Perdeu cedo sua mãe, sendo criada pela madrasta Maria Ludovica, que também veio a falecer. Assim , sua irmã mais velha Maria Luiza, esposa de Napoleão, passou a desempenhar os papéis de irmã, amiga e substituta da mãe.
Leopoldina já havia sido prometida a Frederico Augusto, sobrinho e sucessor do rei da Saxônia.Mas por um acordo político que estreitasse os laços entre a Casa de Bragança e os Habsburgos , garantindo segurança interna contra os movimentos constitucionalistas, e externa , contra a influência da Inglaterra, foi concedida à Pedro, sendo que sua permanência no Brasil seria temporária , retornando a Europa no máximo em dois anos .
Leopoldina era baixa, rosto pálido, cabelos loiros desbotados, sem graça, sem postura , com os lábios salientes dos Habsburgos, mas com os olhos azuis muito belos.
Romântica, estava imbuída de uma imagem dos brasileiros como bons selvagens, uma visão iluminista e de acordo com o pensamento de Rousseau. Suas idéias eram ingênuas, mas tinha consciência da extensão de seu passo,para ela, a noção de dever e sacrifício e ele inerente foi vivido desde cedo como indissociáveis.. Leopoldina ganhou de presente de noivado uma miniatura cravejada de diamantes com o retrato de Pedro. Antes mesmo de conhecê-lo pessoalmente lhe demonstra amor e devoção, postura de quem fora educada para assumir com firmeza os encargos recebidos por razões políticas e na defesa dos interesses de Estado.
Leopoldina partiu de Viena em 3 de junho de 1817. Além das 42 caixas da altura de um homem, que precisavam quase de um navio só para elas, levou três caixões caso viesse a morrer durante a viagem.Na tribulação trouxe zoólogos, botânicos, mineralogistas, pintores , médicos, músicos. Passou pela Itália onde visitou a irmã Maria Luiza, já separada de Napoleão e exilada no país. Passou pela ilha da Madeira, onde se encantou e aproveitou para coletar plantas e minerais. Em 5 de novembro de 1817 os navios entraram na baía do Rio de Janeiro, onde pela primeira vez Leopoldina e Pedro se encontraram.
Leopoldina registra com grande entusiasmo , por ocasião de sua chegada ao Rio, descrevendo seu encanto pela natureza tropical, às vezes exagerando .O estranhamento em relação aos costumes da corte luso-portuguesa e a diferença de hábitos foi ao poucos potencializada pelas condições materiais da cidade que ainda oferecia poucas atrações, a escravidão que realçava a condição de subdesenvolvimento, o calor e os mosquitos. O dever do casamento, inicialmente vivenciado com a idealização do esposo, foi se exaurindo à medida que iam nascendo os filhos , alguns morrendo e o marido ia se afastando e cada vez mais . O choque e a diferença de costumes com a nova pátria, a falta de amigos e de distrações que lhe fossem prazerosas e a descoberta de que seu retorno à Europa se fazia cada vez mais difícil. Todos esses acontecimentos, a perda da ilusão , a solidão amadureceram a Imperatriz e a levaram-na a buscar a “felicidade” o estrito cumprimento dos deveres e nos muitos estudos.
Como gozava de uma vasta visão política , adquirida com os estudos, e a educação num ambiente marcado pelo temor das revoluções que era a Europa de sua época.Sua presença política pouco a pouco se firma e se fortifica na defesa da preservação da legitimidade dinástica em oposição à idéia de “soberania do povo” e da “nação” tão caras aos movimentos radicais da época. Leopoldina era a encarnação dos valores conservadores e do bom soberano. Assim, passa a enxergar a permanência no Brasil como algo positivo para a manutenção da monarquia.Em agosto de 1822 , fala claramente da impossibilidade de a América permanecer como domínio de Portugal, pois “o Brasil é grande demais, poderoso e, conhecendo sua força política, incapaz de ser colônia de uma corte pequena”, passando a atender aos anseios dos brasileiros contra os portugueses apoiando o partido da Independência e com seu envolvimento direto com a diplomacia externa para a melhor aceitação e apoio à Independência do país.Neste sentido a Imperatriz agora Maria Leopoldina, mostra-se satisfeita por auxiliar na manutenção da legitimidade monárquica e desempenhar bem seu papel.
Após a proclamação do Império do Brasil, cujo advento Leopoldina teve influência decisiva, começaram a se agravar as intrigas e humilhações a que a imperatriz se via submetida na corte por obra da influência da protegida Dona Domitila, a marquesa de Santos, amante de Dom Pedro. A imperatriz passa a ser vigiada, seus serviçais mais próximos são demitidos . Sua pensão cada vez mais reduzida, afundando-se em dividas e se isolando cada vez mais. Após o nascimento do desejado herdeiro e futuro Dom Pedro II, o estado de saúde de Leopoldina se agravou consideravelmente. As diversas gravidezes, e sobretudo a pressão psíquica a que estava exposta, levaram a uma acentuada debilitação. Leopoldina faleceu em 11 de dezembro de 1826, um mês antes de completar 30 anos. Especulou-se muito se os maus tratos físicos por parte de Pedro teriam sido decisivos para a sua morte.
A notícia de seu falecimento no Brasil tardaria três meses para chegar à corte dos Habsburgos. Leopoldina nunca mais retornou a Europa.
Seu corpo foi revestido do manto imperial. Foi sepultada no Covento da Ajuda, na atual Cinelândia. Quando o convento foi demolido, em 1911, os restos foram translados para o convento de Santo Antônio , também no Rio de janeiro. Em 1954, foram transferidos definitivamente para o sarcófago, sob o Monumento do Ipiranga, em São Paulo.

Bibliografia: D.Leopoldina - Cartas de uam Imperatriz
 Arte: Pinturas e desenhos da Imperatriz


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

MUSEU DE ZOOLOGIA DA USP



“Para ser um bom observador, é preciso ser um bom teórico”Darwin

Na onda das descobertas dos dinossauros, do caderno especial Dinossauros do Brasil que saiu no Estadão na semana passada e do ingresso conjunto com o Museu Paulista, passei no Museu de Zoologia da USP que fica ao lado.
A Zoologia é a ciência que estudo os animais. Segundo Carl Von Lineé, médico sueco, zoólogo e botânico, o reino animal é um dos 5 reinos , subdividido nos seguintes Filos: Porifera, Cnidários, Platelmintos, Nematelmintos, Anelídeos, Moluscos, Artrópodes, Equinodermos, Cordados: Peixes, répteis, anfíbios , aves e mamíferos.
Os principais ramos da Zoologia são:
-Entomologia(estudo dos insetos)
- Ornitologia (estudo das aves)
- Malacologia(estudo dos Moluscos)
-Herpetologia(estudo dos reptéis)
-Ictiologia(estudo dos peixes)
-Mastozoologia(estudo dos mamíferos)
-Etologia (estudo do comportamento animal)
A biologia animal aborda várias áreas, desde a fisiologia, anatomia, embriologia, genética, ecologia à biologia evolutiva.
A Morfografia inclui toda a exploração sistemática e classificação dos fatos envolvidos no reconhecimento de todos os animais extintos e atuais e a distribuição deles no espaço e tempo. E este é um dos objetivos de um museu de Zoologia, geralmente ligado a universidade e composto por naturalistas, escritores de zoo-geografia, coletores de fósseis e paleontólogos:- O estudo e a exposição da vida animal.Infelizmente no Brasil existem pouquíssimos profissionais para estudar o assunto. Em todo país há cerca de 40 paleontólogos. O museu de Zoologia da USP apesar de pequeno e ínfimo, quando comparado ao Museu de História Natural de Nova York, é um centro de referência no país, e com seus parcos recursos , seus esforços e funcionários com amor à aventura e com uma curiosidade quase quixotesca , ajudam a reconstruir a história e o mundo tal como era há 100 milhões de anos.



Fotos:Fabricio Matheus

INDEPENDÊNCIA OU MORTE




“OUVIRAM DO IPIRANGA AS MARGENS PLÁCIDAS...”Hino Nacional

Parabéns, ó brasileiro,
Já, com garbo varonil,
Do universo entre as nações
Resplandece a do Brasil.”Hino da Independência


Minha memória mais antiga sobre o museu da Independência são as fotos em preto e branco no album de minha avó Ana. Só vim a conhecer o museu na minha adolescência , quando mudei-me para São Paulo. Não só o conheci , como ia toda semana. Fiz um tratamento com uma fonoaudiológa , e seu consultório era ao lado do museu. Minha prima estudava piano na Unesp que ficava atrás do museu. Assim uma vez por semana, ia de carona com a minha prima , e às vezes passava à tarde no museu até a hora de minha prima voltar. Assim tinha lugares que eram só meu no museu e no parque.
Depois fiquei anos sem visitar o museu, e só retornei quando reformaram seu jardim e suas fontes de águas inspiradas nos jardins dos palácios portugueses voltaram a funcionar. Retornei ao parque para assistir uma apresentação ao ar livre do grupo Galpão com a peça “Till, a saga de um herói torto”.
Recentemente comecei a ler 1822 de Laurentino Gomes , sobre a história da Independência do Brasil e o primeiro reinado. A história do Brasil é paradoxal, sua independência foi articulada pelo chefe de estado, no caso D. Pedro I, o defensor perpétuo do Brasil. O sangue do povo, nas revoluções espalhadas pelo Brasil, manteve o poder nas mãos do novo Imperador, que era Português e permaneceu ligado à Portugal. A República foi proclamada na época de maior popularidade do Imperador Pedro II, logo após a libertação dos escravos.As mudanças de poder são realizadas sempre pela elite que permanece ligada e interferindo no poder político, econômico e social do país.
Ao ler 1822, minhas lembranças me levaram de volta a Escola São José, onde fiz meu primário, tive aula de Educação Moral e Cívica e aprendi a História Romântica de meu país. Para mim D.Pedro será sempre o Tarcisio Meira , D.Leolpoldina a Kate Hansen e a Marquesa de Santos a Glória Meneses do filme Independência ou Morte. Os desfiles no dia 7 de setembro , quando desciamos a rua Paranaíba marchando. Na praça da República, era montado o palanque para as autoridades municipais. Em frente ao palanque acontecia as representações . Todo 7 de setembro, tinha um D.Pedro que descia a rua Paranaíba à cavalo e em frente ao palanque na praça da República defronte ao Banco do Brasil empunhava a espada e gritava:- Independência ou Morte. Logo em seguida, vinham as charretes com D.Leopoldina, José Bonifácio, o patrono da Independência e outras figuras históricas.
Minha avó Alzira assistia sempre em frente a farmácia Santana. Logo abaixo ficava a casa da avó Alfa ,da tia Noemia e da tia Tuta. Tinha um público cativo que acenava quando eu passava marchando. Minha mãe se ocupava dos alunos da escola na qual era diretora. O desfile começava às 7:30 e durava mais de três horas.
Sempre marchei, nunca saí na fanfarra.Sonhava em tocar tarol, aquele tambor que fica de lado e tem um som com eco devido aos fios perpendiculares.
Ficavamos temerosos dos bumbos que sempre vinham na frente , e cujos executores alternavam majestosamente para cima , cruzado e para baixo os tocadores e eram trazidos pelas balizas fazendo coreografias com suas varinhas coloridas. As balizas eram as meninas mais bonitas da escola. Todo ano , uma das escolas ganhava o título do Desfile mais bonito. À tarde, íamos à matinê assistir Independência ou Morte que já sabiamos de cor. E antes de tudo tinha os ensaios que começavam um mês antes.
Todas essas lembranças e leituras me levaram de novo a visitar o Museu do Ipiranga, ou Museu Paulista, que é o mais antigo museu de São Paulo. Foi inaugurado em 1895, no edifício projetado por Tommaso Guadencio Bezzi. Hoje, é um museu de história, vinculado à Universidade de São Paulo desde 1963.Com um acervo diversificado , sobre a história da Independência e a história de São Paulo e cuja principal obra é o quadro de Pedro Américo “Independência ou Morte”.
No parque da Independência, que infelizmente não esta como antes, pode se visitar A casa do Grito e o monumento ao centenário da independência eregido sobre a Cripta Imperial que é o masoléu com os corpos de D.Pedro I,D.Leopoldina, a I Imperatriz brasileira e D.Maria Amélia, a segunda esposa e a segunda Imperatriz do país.

Fotos:Fabricio Matheus

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

I ANO DE BLOG





NO BRANCO TETO DO MEU QUARTO
NADAM NUM MAR AZUL
TRÊS SEREIAS ILUMINADAS
SANTA MARIA , PINTA E NINA
COMO AS CARAVELAS QUE TROUXERAM
COLOMBO À AMERICA
NADAM ELAS NUM CIRCULO
DE AZUL E BRANCO INFINITO
COMO UMA MANDALA
QUANDO APAGO A LUZ
SOMEM NA ESCURIDÃO COMO ESTRELAS
A VELAR E A GUIAR MEUS SONHOS
MEUS CAMINHOS
NO TEMPO DE UM PISCAR DE OLHOS
RENASCEM AZUIS
A CANTAR MAIS UM DIA...





Faz um ano.Como o tempo passa rápido! Iracenna era o nome de um grupo de teatro que não deu em nada. Iriamos montar uma peça baseada num filme dinamarquês , enfim , sobrou-me o nome que utilizei de outra maneira ao nominar o Blog.
Revendo o já escrito . Fiz o proposto. Como um glutão balzaquiano, falei de política, arte, medicina , preconceito... Principalmente o preconceito em todos os cantos que é minha bandeira . Dos textos e temas que me propus escrever , apenas um , não o fiz ainda.
Tudo têm o seu momento. Uns temas foram e vão surgindo à medida que o Blog caminha . Fiquei um tempo sem escrever, devido a caótica reforma do meu apartamento. Alguns temas atrasaram.Mas a saudade da escrita e o hábito do escrever, permaneceu. O aprendizado da escrita é tarefa prazerosa.
Escrever e contar histórias sobre um mundo que é visto com os meus olhos e meus sentimentos.
Quero que o Blog continue um prazer. Um espaço em que eu escape da minha rotina e possa sonhar  um mundo mais justo. Algo de mim que eu possa repartir....


Arte:Fabricio Matheus
Giz de cera:Silvio Oppenheim
Escultura: Franz Wassermann

terça-feira, 7 de setembro de 2010

SANGUE E MORTE NO NINHO



"Somos todos irmãos, não porque dividamos, o mesmo teto e a mesma mesa: divisamos a mesma espada, sobre nossa cabeça." (Ferreira Gullar)

Segundo a Bíblia, Caim, um dos primeiros homens, o primogênito de Adão e Eva. Em determinada ocasião, junto ao irmão Abel, apresentam ofertas ao Criador. Caim apresentou frutas do solo e Abel ofereceu primícias do seu rebanho e agradou mais a Deus. Caim possuído por ciúmes, armou uma emboscada, matando o irmão no campo. Este teria sido o primeiro homicídio da humanidade.Fratricida, respondeu com arrogância ao Criador, que o condenou banindo do solo a ser errante pelo mundo em busca de um futuro indefinido em um deserto de homens.
Em certa espécies de águias e abutres, assim que o segundo ovo eclode e o irmão mais novo ,Abel, começa a se alimentar. Ele é atacado impiedosamente pelo primogênito, Caim.
Caim começa bicando o pescoço do irmão. A luta covarde de Caim dura cerca de três dias, o irmão mais velho que começa atacando o indefeso, que termina o final do primeiro dia com o rosto ensangüentado, o segundo dia com o rosto destruído e o corpo sugado e expira no terceiro dia quando Caim ganha cerca de 50gramas, mas nada em termos alimentar. Ou seja, toda esta luta impiedosa e covarde não têm nada a ver com a alimentação. Uma erupção violenta parte do primogênito que é compelido a atacar o caçula. Os pais, mesmo perdendo cinqüenta pro cento da cria, assistem passivos a luta mortal e depois joga o corpo inválido e morto fora do ninho.
Estas espécies foram estudadas em laboratórios , onde apresentaram o mesmo comportamento. Em pouquíssimos ninhos da mesma espécie , encontrou-se o segundo irmão, cerca de três em setecentos.
Deste enigmático e brutal comportamento , surgem muitas questões : - Por quê os pais põem dois ovos se apenas um sobreviverá? Por quê o primogênito mata o irmão se a luta não é por alimento? Por quê algumas das espécies praticam o fratricídio obrigatório , enquanto umas o facultativo e outras não o fazem? Muitas respostam que não explicam as questões. Pois têm espécies que põem somente um ovo? Notou-se comportamento semelhante em espécies de tubarões intra-utero e em algumas salamandras.
Seria o comportamento violento inerente ao ser ou desenvolvido segundo o meio ambiente em que se vive. Isto vale para nós humanos. Na gestação gemelar , que todos acham tão lindo, apesar dos riscos , entre eles, o de nascimento prematuro, fetos doador-receptor que hoje com a medicina fetal pode-se intervir. Geralmente os fetos sempre nascem com o peso abaixo de uma gestação única. Haveria intra-utero tal luta , ou tal,desenvolvimento de um comportamento mais violento num feto que no outro?
As questões familiares e a natureza,desde a gênese ,  seguem a nos intrigar com o seu mistério e sem respostas ...


Arte:Fabricio Matheus
Fonte:Birds @Birding, june/july2004