Fotos:Fabricio Matheus
domingo, 11 de julho de 2010
terça-feira, 6 de julho de 2010
BLYDE RIVER CANYON
“Cada pôr-do-sol que vejo me inspira o desejo de partir para um oeste tão distante e belo quanto aquele onde o sol sumiu”. Henry David Thoreau
“Não é o que você olha que importa, é o que você vê”.Henry David Thoreau
“Se uma planta não consegue viver de acordo com sua natureza, ela morre, assim também um homem”.Henry D.Thoreau
Na região nordeste da África do Sul destaca-se uma área de extraordinária beleza e lindas reservas naturais; onde o rio Blyde ao longo dos séculos esculpiu um profundo desfiladeiro em meio a xisto e quartzito, criando um belo conjunto de rochedos, ilhas , platôs e encostas. O elevado índice pluviométrico contribui para o crescimento de florestas com uma flora exuberante composta de liquens e musgos à florestas alpinas e flores exóticas como orquídeas e outras raridades. E explica a maior concentração de cachoeiras do país e represas para a pesca de trutas.
Nestas encostas das ravinas, cobertas de árvores , vivem grandes espécies de antílopes, pequenos mamíferos, aves, hipopótamos e crocodilos. Só no Blyde River Canyon pode-se encontrar todas as espécies de primatas da África do Sul, de babuínos , macacos verdes à samangos.
Nesta região de solos férteis, um verdadeiro cinturão verde, destaca-se na economia do país pela produção de madeira de lei, plantações de pinheiros, eucaliptos , diversas variedades de frutas, cereais, girassóis, tabaco e nozes.
Entre os trajetos com paisagens, destaca-se a Panorama Route, um dos trechos mais altos e mais belos da África do Sul, com lindos locais panorâmicos como a God’s window(Janela de Deus) e a Wonderview (Vista maravilhosa). Têm que estar atento ao limite de velocidade que é sempre baixo e muda constantemente, com fiscalização intensa por ser área turística . A estrada quase sempre é coberta por neblina principalmente no final do inverno e ínicio do verão , pela manhã e ao cair da noite.
Ficamos hospedados no Forever Resorts à beira do canyon, e de onde saem várias trilhas para caminhadas longas e curtas e com diferentes graus de dificuldades e sinalizadas pelo nome do animal que a caracteriza. O chalé deve manter – se sempre fechado pois os babuínos frequentemente os invade em busca de alimentos, e é comum ver o hóspedes correrem atrás destes macacos tentando resgatar pelo menos as vasilhas.
O Forever resorts têm uma localização excelente, mas foi minha primeira decepção no país. Os chalés são horríveis e escuros. Estão sendo reformados. E quase todos os Resorts da África do Sul, assim como os Lodges de safari, pertencem a magnatas ingleses. O Resort fica a cerca de 40 km das cidades. O restaurante do resort no primeiro dia foi a pior refeição em todo o país. Depois se explicou , pois o chefe estava ausente, e quando voltou parecia outro lugar, com outro serviço e outra comida.
É necessário avisar nas recepções dos resorts que vai se fazer as trilhas, para segurança e estatística do serviço turístico.
Nossa primeira trilha foi numa manhã coberta por uma névoa branca, não enxergávamos nada, à medida que descíamos o íngreme e escorregadio caminho molhado de orvalho; ora ou outra éramos assustados pelos estranhos e graves sons dos babuínos machos responsáveis pela proteção da família . As trilhas são espetaculares à medida que são percorridas , e o contato com a natureza, faz-se das caminhadas e das descobertas de quedas d’água, novas flores, animais, vistas panorâmicas, travessias de riachos e rios uma experiência indescritível.
Pode se fazer outros percursos nos altos platôs, pelas savanas à cavalo, com vistas panorâmicas dos desfiladeiros , cavalgadas e descobertas de animais. Fomos guiados pelo educado e solicito Joseph. Meu cavalo chamava-se Dartanian como um dos três mosqueteiros. Há também vôos de balão e inúmeras modalidades de eco-esportes, que devem ser agendados em Graskop, uma pequena cidade.A maior da região, com duas grandes vias perpendiculares , com hotéis , ótimos restaurantes, artesanatos como os tecidos de lã , estatuetas, pintura local...
Numa noite jantamos num simpático pub, com decoração que parecia um antiquário, chamado Loco pub & Coachman Grill, onde a maioria acompanhava uma partida de rugby com muita cerveja. Sentamos numa mesa com vista para a estação ferroviária e algumas pequenas propriedades rurais e comemos muito bem, infelizmente não pude beber vinho, pois estava dirigindo e as estradas são perigosas, escuras com neblina e a possibilidade de travessia de animais.
Numa noite jantamos num simpático pub, com decoração que parecia um antiquário, chamado Loco pub & Coachman Grill, onde a maioria acompanhava uma partida de rugby com muita cerveja. Sentamos numa mesa com vista para a estação ferroviária e algumas pequenas propriedades rurais e comemos muito bem, infelizmente não pude beber vinho, pois estava dirigindo e as estradas são perigosas, escuras com neblina e a possibilidade de travessia de animais.
As cachoeiras de fácil acesso por carro, podem ser apreciadas em um trajeto de cerca de 100 Km e destaco a Lisbon Falls e a Berlin Falls.
A região inicialmente colonizada por aventureiros em busca do ouro encontrado nos rios do vale Lowveld, têm em Pilgrim’s Rest, antiga cidade mineradora, um museu a céu aberto. As casas , hotéis, restaurantes , cafés conservam o mobiliário estilo inglês da época. A pequena cidade é repleta de turistas, muitos de passagem. Há inúmeros guardadores de carros, que lavam o mesmo e depois ficam chantageando os donos por dinheiro, um pouco agressivo, pois estão sempre em grupos e há muitos casos de furtos apesar do policiamento.
Blyde River Canyon foi uma grande surpresa . Uma descoberta dos sentidos. Uma experiência na qual não só contemplei com os olhos a beleza e a natureza local . Vivi com o corpo e todos os sentidos o que a natureza ali me oferecia.
Fotos:Fabricio Matheus
ALZHEIMER
“Uma doença pode ser intratável, mas o paciente não.”
Um dos segredos e mistério da medicina ao longo dos anos de sua prática foi a humanidade que aprendi com a dor dos outros, com a escuta do outro. Isto é o que me torna também mais próximo do outro , de mim e me faz mais humano.
No sábado do dia 3 de julho, o Jornal o Estado de São Paulo na página A24 traz o depoimento do Dr. Arthur Rivin, clínico geral e professor emérito da Universidade da Califórnia sobre o Alzheimer, onde conta o processo de desenvolvimento da doença , dos sintomas ao diagnóstico, e como sua rotina mudou. Foi um dos textos mais humanos e científicos que já li sobre o assunto.
O Alzheimer, é uma doença degenerativa, até o momento incurável e terminal, geralmente por outras complicações decorrentes da mesma, por exemplo, a pneumonia. Descrita em 1906 pelo psiquiatra alemão Alois Alzheimer, que estabeleceu os primeiros elos , entre a demência d a presença de placas e emaranhados de material neurofibrilares. A doença afeta 1 a cada 8 pessoas com mais de 65 anos, embora seu diagnóstico seja possível em pessoas mais novas. A previsão é de que o número de pessoas com Alzheimer nos EUA dobre até 2030, segundo a Organização Mundial da Saúde , em 2006, o número de portadores era de 15 milhões.
Sabe-se hoje, que é o acúmulo de uma proteína chamada beta-amilóide nas células cerebrais que provoca uma degeneração neuronal que caracteriza a doença.
Os sintomas da doença são divididos em quatro fases: Na primeira fase sintomas muitas vezes relacionados com o envelhecimento e estresse. O sintoma primário mais notável é a perda de memória a curto prazo(dificuldade de lembrar fatos recentes), perda de atenção, flexibilidade no pensamento, apatia, desorientação no tempo e espaço, a pessoa não sabe mais o dia, mês ou ano.
A segunda fase, já caracteriza um demência inicial, dificuldade de linguagem , como diminuição do vocabulário, fala lenta, perda de alguns movimentos e dificuldade de coordenação . O paciente pode parecer desleixado ao efetuar tarefas simples como escrever, vestir...
Na terceira fase a degeneração progressiva dificulta a independência .Progressivamente o paciente vai perdendo a capacidade de ler, escrever e já não é capaz de fazer as mais simples tarefas diárias. O paciente já não reconhece os seus parentes. São comuns apatia, irritabilidade, instabilidade emocional, choro, agressividade inesperada , resistência a claridade e incontinência urinária.
Na quarta fase o paciente esta totalmente dependente das pessoas, pode perder a fala, apatia extrema, cansaço, degeneração da massa muscular . Esta fraqueza excessiva deixa o paciente a mercê de infecções, desidratações e etc que acabam levando à morte.
O diagnóstico além dos testes de memórias é feito com 95% de precisão pela tomografia computadorizada que detecta uma atrofia cerebral devido a perda neuronal específicas em determinadas áreas.
O tratamento visa confortar o paciente e retardar o máximo possível a evolução da doença. São usados inibidores da acetil-colinesterase e inibidores de receptores do glutamato, que funcionam como limpadores desta proteína que degenera os neurônios. Estas drogas têm muitos efeitos colaterais, como diarréia e perda de apetite. Com o uso contínuo estes efeitos podem diminuir e mesmo desaparecer. Infelizmente ainda, em muitos pacientes, esses remédios não surtem nenhum efeito.
Apesar de não confirmação cientifica , a prevenção parece retardar a evolução da doença. Fatores como dieta, inclusão de frutas , vegetais , pão, trigo e outros cereais, azeite , peixes e até vinho tinto, podem reduzir o risco . Algumas vitaminas como a E, C ,B12, B3 e B9. Especiarias como a curcumina e o açafrão.
O risco cardiovascular, alto colesterol, hipertensão, diabetes , tabaco, uso a longo prazo de anti-inflamatórios estão associados com maior risco de desenvolvimento da doença.
Atividades intelectuais como ler, escrever, jogos como xadrez, damas, palavras cruzadas, tocar instrumentos musicais, pintura, socialização regular podem atrasar o ínicio e a gravidade do Alzheimer.
O Dr. Arthur Rivin , tinha antecedentes coronarianos e dois pequenos derrames cerebrais, que o seu neurologista associou a perda de memória inicial , retardando o seu diagnóstico de Alzheimer.Mas à partir de sua melhora clínica, começou a fazer uma lista de insights que gostaria de compartilhar com outras pessoas que enfrentam problemas semelhantes ao seu como:
-Tenha sempre consigo um caderninho de notas e escreva o que deseja lembrar mais tarde. Quando não conseguir lembrar de um nome, peça para que a pessoa repita e então escreva. Faça caminhadas. Dedique-se ao desenho e à pintura.Pratique jardinagem, faça quebra-cabeças e jogos. Experimente coisas novas. Organize seu dia.Adote uma dieta saudável, que inclua peixes duas vezes por semana, frutas , legumes, vegetais, ácidos graxos e ômega3.
Não se afaste dos amigos e da família. Certifique-se dos documentos que necessite examinar e pendências como testamento e deixe recomendações por escrito. Procure assegurar que aqueles que o amam saibam dos seus desejos.
Foto: Conor . O'Byrne, Horizonte com a Suécia ao longe.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
PORTRAITS
Retrato
"Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida a minha face?"Cecilia Meireles
"Nossa personalidade é uma invenção dos outros." Marcel Proust
"Personalidade é tudo na arte e na poesia." Goethe
"Um retrato pintado com a alma é um retrato, não do modelo mas do artista."Oscar Wilde
Um pintor não devia pintar o que vê, mas o que será visto"Paul Valery
“Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade : é aquele que a transforma"Augusto Boal
Arte:Fabricio Matheus
terça-feira, 29 de junho de 2010
PRETÓRIA
“Não esqueçam esse grave alerta que repousa nas palavras “dividir e governar”;nunca permitam que elas sejam aplicadas à nação sul-africana. Só então nosso povo e nossa ´língua perdurarão e prosperarão”.
“Aquele que deseja criar um futuro, não se atreva a negligenciar o passado. Que busque , assim, tudo o que é bom e belo no passado, transforme no seu ideal , e lute para realizar esse ideal no futuro”.Paul Kruger
“Ficou imediatamente claro para mim o quão apática a nossa juventude está,particularmente em relação a temas que dizem respeito à nossa história, nossos ícones , heróis e lendas....”Aubrey Sekhabi, dramaturgo sul-africano
Quando cheguei a Pretória, já tinha passado pelo Cabo Oeste , Gauteng e Mpumalanga , o nordeste do país. Com dez dias viajando , já tinha uma noção e impressão do que tinha vivido. E posso dizer que muito boa.
O horizonte de Pretória é como o de uma grande cidade do interior de São Paulo. Shopings e Markets à beira da estrada principal. Era sábado à tarde e não tinha trânsito, as ruas limpas e bem sinalizadas. Fomos direto para New Muckleneuk, um bairro ao lado da Universidade da África do Sul onde ficava nossa pousada.
Pretória é a capital administrativa da África do Sul, fundada em 1855, com nome derivado do fundador e primeiro presidente da República Bôer.
Em 2005, tentaram por um plebiscito mudar o nome da cidade para Tshwane que significa “Somos todos iguais” e hoje é a denominação da área metropolitana que incluí a cidade de Pretória e outros núcleos.
Visitei primeiro o Union Buildings que abriga a sede do governo e os escritórios da Union of South América. O edifício em estilo renascentista não é aberto ao público , podendo ser admirado à partir dos jardins acima de uma colina com vista panorâmica da cidade. A cidade é repleta de Jardins e parques, alguns comparados aos jardins franceses e com muitos jacarandás provenientes do Rio de Janeiro.
Descemos à Old Church Square que é o centro histórico, ponto de encontro popular e área comercial, sempre cheio de pessoas, aqui sim, a maioria negra. Vários edifícios antigos, alguns majestosos com significativo papel na história da cidade e outros novos como o Teatro Nacional (State Theatre) e o monumento em honra ao Presidente Paul Kruger. Próximo à praça antigas casas de famílas inglesas como Brontë, Charles Darwin, Melsrose House e o Museu Kruger , que foi a residência do presidente Kruger , todos com móveis , traços e fantasmas daqueles que viveram ali, com uma sensação de que seus ocupantes acabaram de sair e logo voltaram. Às vezes o passado pode ser tocado e imaginado.
Tive uma rápida visão da cidade e retornamos à pousada onde eramos esperados para o jantar.
A Jensen Guest House é uma pousada gerenciada por Holger Jensen, dinamarquês , que adotou a África do Sul como seu país, pelo clima e sua paixão pelos animais. Jensen organiza tours e safáris pelo país e já abrigou ilustres nomes da Escandinávia entre eles a família real. Ele foi o responsável pela organização de minha viagem e achava que eu seria Fabricia. Sua pousada abriga cerca de quatro casas em estilo escandinavo, ocupa meio quarteirão, com sua própria residência e as outras adaptadas em suítes, salas de estar , sala de jantar. Tudo de muito bom gosto, com jardins tropicais, lagos com carpas coloridas e junto a piscina que fica no centro, um mastro com a bandeira branca e vermelha de seu país hasteada.
Assim que chegamos fomos recebidos com chá, café e brownie por Benny, outro dinamarquês , considerado filho por Jensen, sua esposa Susanne e seu filho Nicolai e os cães de Jensen, sua outra paixão.
A sala de Jantar em estilo dinamarquês , com pé direito alto , lustre de cristal e paredes repletas de seus trofés: cabeças empalhadas de animais que Jensen mesmo caçou. Sua outra paixão : a caça e pesca. A caça foi e ainda é um esporte dos nobres. Jensen exibe com orgulho sua paixão pelo esporte com as paredes ornadas com os animais caçados em diferentes países e conta com detalhes a arte de empalhar, como escapelar a cabeça do animal sem danificá-la , realiza-se um molde de fiber-glass que será recoberto com a carcaça do animal, sendo que parte do processo é realizado na Alemanha que fabrica com exímio os olhos de vidro. Jensen adora ópera e música clássica. Foi um choque na minha alma , recém chegado de um safári e cercado por animais embalsamados ao som de Wagner.
Susanne é fotografa e artista plástica e nos conduziu à adega para escolhermos o vinho além de mostrar seu trabalho. À mesa com um candelabro de seis velas e flores ,sentou-se entre nós , um casal dinamarquês que tinha acabado de chegar da Cataratas de Niagará e outro casal de homens, do serviço de relações diplomáticas Dinamarca –África do Sul.
Na mesa falávamos inglês, dinamarquês e português. Engraçado que com o tempo , mesmo sem falar dinamarquês, eu sabia do que estavam falando.Fomos servidos por Susanne e Benny. Entre música instrumental clássica, ópera e os latidos dos cães , de repente ,tocou-se As Bachianas de Vila Lobos.
Depois do jantar à beira da piscina contemplando o céu estrelado da África do Sul, foi que notei duas mulheres negras ,que saíram da casa ao lado da de Jensen ,para limpar e fechar a sala de Jantar.
No quarto, ao meu lado, um veado/Impala velava com seus olhos de vidro germânico o meu sono.
Acordei cedo e Jensen me levou de volta ao Aeroporto em Joanesburgo. Falamos de tudo, sua paixão pela caça, ópera, cinema que inclui cinema dinamarquês , Fellini e mundial, assistiu até Central do Brasil, Carandiru e Os dois filhos de Francisco.
Hoje Jensen, além de organizar tours pela África, viaja somente para países onde a caça é permitida. Por um momento , eu me senti o Chapeuzinho Vermelho tendo sobrevivido à experiência da floresta ,ao lado do caçador. Quem sou eu para julgar qualquer coisa? Na minha cesta para a vovózinha, quer dizer na minha mala; trazia um tapete de couro de Zebra para o Brasil.
www.susannephoto.com
www.jensensafaris.com
Fotos:Fabricio Matheus
JOANESBURGO
”Se você falar com um homem numa linguagem que ele compreende, isso entra na cabeça dele. Se você falar com ele em sua própria liguagem, você atinge seu coração."
"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião.
Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar."
“A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.”Nelson Mandela
“Depois do fim do apartheid, tudo mudou. Não estamos seguros em nossas próprias casas, não podemos andar na rua”
“Não sou racista, mas estávamos melhor antes”Bárbara , indiana casada com um alemão católico.
“O racismo se inverteu... agora são os negros contra os indianos e brancos” Mutasami, 27 anos, indiano.
“Miserável país aquele que não tem heróis. Miserável país aquele que precisa de heróis.”B.Brecht
A palavra África deriva de AURUNGA ou AFRI, NOME DA TRIBO Berbere que na antiguidade habitava o norte do continente. O nome começou a ser usado pelos romanos à partir da conquista da cidade de Cartago, perto de Túnis , capital da Tunísia no século VII a.c.. Somente no século XVI, com a necessidade dos europeus de avançarem para o interior e para o sul do continente negro em busca de novas riquezas e exploração de matéria-prima, foi que o nome África se generalizou para todo o continente.
África também significa :façanha, proeza, valentia, algo difícil de se realizar.
Cheguei a Àfrica em Joanesburgo e fui direto para o sul, Cape Town ou Cidade do Cabo. Parti da Àfrica de Joanesburgo. Começo minhas descrições e recordações da África do Sul pelo ínicio e final.
Joanesburgo é a maior cidade da África do Sul, a quarta maior do continente africano, fundada em 1886 com a descoberta e o boom do ouro na região; hoje o centro financeiro e comercial do país.
Em Joanesburgo fica a township de Soweto, famosa pelo apartheid e onde morou Nelson Mandela. A cidade é mais um ponto de escala no país, ainda com altos índices de violência e segregação.
Os principais pontos turísticos são: O Museu do Apartheid, o Museu Mandela, o Museu da África e o Berço da Humanidade à 25 Km a noroeste, o sítio arqueológico de Sterkfontein, famoso por ser o mais rico sítio de hominídeos e onde foi encontrado em 1947, o crânio de um Australopitheces africanus apelidado de Mrs Plees, o primeiro esqueleto humano que remonta há 2-3 milhões de anos.
Cheguei assustado em Joanesburgo com histórias de violências sofridas por amigos que a tinham visitado anteriormente, mas, excitado com histórias e lutas dos negros do continente que migraram para o Brasil como escravos e homens que lutaram no país por liberdade, além da curiosidade com relação aos animais e a geografia da região. No aeroporto internacional à caminho de Cape Town, parecia um aeroporto europeu, com poucos negros , estes poucos trabalhando na limpeza dos toaletes, e com um serviço rápido e eficiente.
Voltei a cidade com a frase dita por quase todos os africanos, ou pessoas que moram na África que conheci pela viagem: - A África do Sul, não é a verdadeira África.
Do continente africano, já havia visitado o Egito, que também não é a verdadeira África, foi o que me disseram. A verdadeira África que descreveram , foi pintada com cores mais fortes e mais sangue. Uma África da miséria, da dor, da fome, da doença, da violência, da segregação e preconceito, do abandono, da exploração, cujo único culpado é o próprio homem. Vi um pouco disso, com cores mais tênues... vi também outra África: a África da natureza, que me ensinou sobre o tempo e o respeito para com a mesma. Talvez eu nunca chegue a conhecer a verdadeira África. Mas o pouco da África que conheci foi verdadeira.
Joanesburgo é violenta, segregada, negra, com muita miséria, contudo , se a África do Sul não é a verdadeira África , deve-se a lutas e ao sangue de seus homens negros, representados pela figura do hoje considerado herói vivo nacional:- Nelson Mandela ou simplesmente Mandiba.
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